quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Personagem: Christopher



A personagem Christopher pertence ao "universo" de Ursinho Puff (como conhecido no Brasil), foi criado em 1926 no livro Winnie the Pohh escrito por Alan Alexander Milne. Em 1977 Walt Disney reuni as histórias de Puff em três curtas metragens, mais tarde sendo reunidos num longa metragem e posteriormente em séries de desenho animados, longa metragens, jogos.

A análise realizada é feita por Leandro


O Bosque dos Cem Acres, um lugar formidável, com lindas paisagens, campos abertos, lagos, um clima normal, mas habitantes inusitados. Leitões medrosos, ursos sem grandes habilidades cognitivas, tigres que adoram pular, cangurus super protetores e burros com rabos preso ao corpo por um prego. Um lugar estranho para se viver, mas todos convivem bem entre si, principalmente por um visitante sempre esperado, um visitante que ajuda a todos e ouve a todos, Christopher.
Christopher (ou Cristóvão em algumas versões brasileiras) é um garoto que visita os habitantes do Bosque dos Cem Acres, o ursinho Pooh (ou Puff como também é conhecido no Brasil), o Leitão, o Tigrão, o coelho Abel, o burro Ió entre outros tantos habitantes.
Tanto nas historias escritas por A. A. Milne como na versão da Disney, os habitantes do Bosques tem diversos problemas, como Pooh que só pensa em Mel, Tigrão que utiliza seu rabo para pular, Leitão que é tão tímido e medroso, Ió com sua baixa motivação e é Christopher que os ajuda a superar alguns de seus problemas (não apenas esses mencionados mas outros relacionados a comunidade) como um conselheiro, aquele que ouve e os ajuda a pensar na direção do problema.
Ora, o que Christopher faz não é exatamente o trabalho de um psicoterapeuta? Repare como o garoto sem ajuda seus amigos que tem diversas dificuldades (que são até possíveis de serem diagnosticadas, como são mencionados no livro “Lobo Mau no Divã” de Laura James).
Na psicoterapia, o terapeuta ajuda o paciente que está com determinado problema a enxergar o problema e sua solução, ou ainda ajuda a superar determinados medos ou traumas, ou simplesmente ouve o paciente.
Christopher realiza no Bosque dos Cem Acres um serviço de terapia a comunidade, por assim dizer. Todos os habitantes buscam sua ajuda. E na história uma babá ajuda Christopher em suas questões (como uma supervisora e/ou terapeuta talvez?).
Porém ele se diferencia em muita dos terapeutas de, digamos, linhagem clássica. Ele interage com a comunidade, se for preciso ajuda colocando a “mão na massa” para ajudar (mas pouquíssimas vezes, sempre deixando claro qual trabalho é de quem), partindo no momento que é necessário, deixando que os habitantes (ou seriam pacientes?) vivam suas próprias vidas e reflitam na conversa e na convivência que tiveram durante o momento que estavam juntos. Na foto acima podemos ver como Christopher também participa dos momentos de alegria e festas da comunidade.
Podemos todos os dias observar pessoas com os mesmo problemas que os habitantes do Bosque, é só olharmos com mais cuidado na nossa sociedade. Quantas pessoas ansiosas temos em nossa sociedade? Ou com TDAH? TOC? Quantas vezes não vemos profissionais da saúde se afastando claramente da saúde do paciente e indo apenas direto ao que os manuais dizem? Não digo isso menosprezando os manuais como DSM IV ou o CID10, mas nem sempre as pessoas sem enquadram em padrões ditos por eles, e nem sempre temos que agir de forma robotizada, sem emoção, em trabalhos diretos com a comunidade devemos colocar emoção no trabalho e sermos empatas com cada uma das pessoas. Christopher é empata com cada habitante do Bosque, e ele é apenas uma criança sem apoio teórico e técnico.
Imaginem o que os psicoterapeuta podem fazer se unirem a empatia desta criança com a técnico/teórico do profissional? Muitos e muitos Pooh’s, Tigrão’s, Ió’s podem ser ajudados com isso?

A empatia na jornada profissional do psicoterapeuta é essencial! O amor ao que faz é essencial.

Psicoterapeutas, lembrem-se: A sua presença é primordial!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

Nós da equipe Arte no Divã desejamos a todos os leitores um FELIZ NATAL! Que nesta data possamos nos achegar mais perto daqueles que nos rodeiam, que vivem conosco e aprender com eles, para que com esse aprendizado consigamos compreender melhor nós mesmos e a própria sociedade em nível consciente e inconsciente.

Boas Festa!

Leandro e Natália

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Filme: Ponte para Terabítia


O filme "Ponte para Terabítia" é baseado no livro homônimo de Katherine Paterson. Na história o garoto Jess se sente um estranho em casa e na escola, onde é ridicularizado. Ele e sua amiga Leslie se aventuram no bosque perto de suas casas onde eles encontram (ou melhor dizendo, criam) o reino de Terabítia, um lugar mágico que os ajuda a encarar os seus medos e desafios. Josh Hutcherson (Viagem ao Centro da Terra) interpreta Jess Aarons e Anna Sophia Robb interpreta Leslie Burke.



Análise feita por Leandro

Começarei dizendo, este texto se refere ao filme e não ao livro.
Jess Aron sofre com a mudança de escola, com a nova casa, nova situação social. Na escola não faz muitos amigos, e apenas treina para ser o grande corredor na escola, porém a menina Leslie “atrapalha” seus planos na corrida vencendo-o. A partir daí uma relação de amizade muito forte surge entre os dois.
Os dois são discriminados na escola e sempre sem amigos, os dois brincam num bosque onde “descobrem” o reino de Terabítia.
Esse reino eles inventam para poderem passar o tempo e enfrentar os desafios de cada dia. A Ogra que existem na terra de Terabítia é uma das garotas mais fortes da escola e que sempre implicava com os dois. Entre outros animais e seres fantasiosos, ambos criam dessa forma um modo de enfrentar os desafios surgidos na infância.
Em outro momento, quase no final da história, Jess tem que utilizar desse método para enfrentar outro grande problema, a morte de Leslie.
Esse recurso imaginário não demonstra em nenhum aspecto sintomas de esquizofrenia ou outra patologia, muito pelo contrário, demonstra uma saudável maneira de enfrentar os problemas na infância. Pensar em pessoas como monstros ou heróis, fadas ou bruxas, são formas que encontramos em, praticamente, todas as culturas do mundo.
O conto de Chapeuzinho Vermelho fala sobre a transição menina – mulher, os Três Porquinhos nos mostra as diferenças de um trabalho feito com dedicação e outro sem a mesma dedicação (ou como a nossa estrutura psiquica pode aguentar algumas ventanias se não estiver bem estruturada).
Inventar, criar um mundo onde tudo pode acontecer pode ser uma forma de fortalecer nossas estruturas psiquicas para enfrentar as mudanças que ocorrem em nós e no meio que vivemos, porém apenas viver na fantasia sem conseguir discernir o que é real e o que é imaginário pode significar uma patologia, mas esse é um caso que não ocorre no filme e em muitas das histórias que criamos ou contamos as crianças ou adultos. Sim adultos!
Nas mais diversas culturas as histórias podem nos ajudar na forma de enfrentar, ou elaborar, determinada questão. Na cultura cristã existem as parábolas contadas na Biblía, os Judeus também tem as utilizam. No livro “Mil e uma Noites”, embora fictício, mostra como a história pode influenciar em nossas decisões e formação.
Apenas mais um exemplo, a história contada na música “Aquarela do Brasil”, Toquinho escreveu esta canção em duas partes, uma quando estava feliz e outra quando estava triste. Ele consegui expressar o que sentia e superar aquilo que atrapalhava.

Imaginar, criar, inventar histórias e vidas não pode ser considerado uma patologia se for realizada de forma saudável, histórias existem para nos confortar, nos fazerem pensar e nos ajudarem a crescer mais e mais.

Criemos, inventemos ajudemos nossas crianças a superar suas questões, desde a mais simples até a mais complexa, através de histórias. Que sigamos o exemplo de Jess que ao final do filme coroou sua irmã menos (que nunca tinha participado de suas “aventuras”) como princesa de Terabítia.

Coroemos mais e mais pessoas como reis e rainhas de Terabítia para termo um “reino” mais saudável e feliz!


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Filme: Tá Chovendo Hambúrguer


O desenho "Tá Chovendo Hambúrguer" estreou este anos nos cinemas mundiais, com animação 3D. Este desenho conta a história do inventor Flint Lockwood, um cientista desacreditado por toda a cidade mas que revoluciona o mundo com a "máquina de chover comida". Filme baseado no livro de Judi Barrett e Ron Barrett "Cloudy with a Chance of Meatballs ".


Análise feita por Leandro

Ao ver este desenho no cinema com minha noiva vimos algo que foi relatado como uma diversão mas acontece na realidade: Preconceito!
Neste filme Flint Lockwood é uma criança com um sonho, ser cientista, um grande inventor, porém ele é rechaçado na escola por seu comportamento, por tentar entender as coisas, e por ser mais inteligente nas matérias acadêmicas.
Com isso vive isolado deles, a mãe o incentiva mas o pai não. Ele deixa o filho fazer as invenções, mas não acredita. Assim como a cidade inteira. A cidade respeitava e vivia apenas da propaganda de atum do pequeno bebê (que virou um homem já).
Neste contexto podemos ver o quanto as pessoas estão ligadas a essas imagens, representações sociais de cada um. Claro que nós fazemos essas representações para poder identificar, para nos adequar ao meio que estamos.
Mas como está sendo o nosso modo de enxergar o mundo? Pessoas inteligentes, que gostam de filmes “espaciais” ou de desenho animados devem ser excluídos? Tratados como uma pessoa sem qualquer importância na sociedade?
Flint consegue ser reconhecido como ágüem importante por fazer chover comida. Mas as pessoas, mesmo reconhecendo toda a inteligência de Flint, continuam a usurpá-lo, pedindo cada hora uma comida diferente para comer. Abusam dele e o fazem acreditar que somente assim poderá ter um lugar significante perante todos.
A personagem Sam Sparks não é diferente dele, porém quando era criança já muda seu comportamento. Ela gostaria de ser meteorologista, e por isso todos a chamam de “nerd”, como se isso fosse algo pejorativo, algo ruim. Ela decide mudar para não ser humilhada, deixa de lado os óculos (e passa a piorar sua visão, já que ela precisava deles para enxergar), muda roupa e começa a agir como se não entendesse das coisas, agir como “burra”.
Será que quem é inteligente precisa se disfarçar para que ninguém o reconheça como inteligente? Será que persistir nos sonhos de criança é errado?
Outro dia ouvi uma mãe dizer para seu filho “credo, ta parecendo nerd!”
Vou explicar o que é nerd. Nerd é uma pessoa que, em sua maioria, é inteligente nas matérias acadêmicas (sem ter que estudar demais para entende-las. Aqueles que estudam demais para uma matéria e ficam apenas estudando são os chamados CDF’s), muitas vezes tem um contato social precário, devido as chacotas que o envolvem, gostam de assuntos relacionados a ciência e ficção cientifica.
Analisando as características acima, existe algum motivo para serem excluídos? Serem motivos de piadas e excluídos só por isso? Existe motivo para uma mãe dizer ao filho “não seja nerd”?
Num país onde existe o discurso contra o preconceito racial, é permitido o preconceito contra alguma característica de gosto pessoal?
Isso vale para as nossas representações quantos aqueles que possuem algum déficit cognitivo ou físico. Quantas vezes não permitimos que alguém trabalhe em determinado cargo por que ele possuí dificuldade motora nos membros superiores (sendo um pouco mais claro, a pessoa tem dificuldade em movimentar os braços).
Nós devemos lutar para garantir que esses preconceitos não existam mais.
No filme todos passam a entender melhor Flint e Sam após eles salvarem o mundo da máquina que pifou, mas em nossa realidade será necessário um evento cataclísmico para que as diferenças acabem?
Lutemos e lutemos para que preconceitos caiam por terra, para assim chegarmos num ambiente de melhor convivência.

“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”
Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo 1

domingo, 18 de outubro de 2009

Filme: Uma Prova de Amor


O filme "Uma Prova de Amor" foi lançado em 2009 e conta a história de uma familia cuja a filha do meio tem leucemia e as lutas da familia contra a(s) doença(s). Dirigido por Nick Cassavetes e tem no elenco Cameron Diaz, Jason Patrick, Abigail Breslin, Sofia Vassilieva, Evan Elligson e Alec Baldwin.
O filme, por sua vez é baseado no livro "Para minha Irmã" de Jodi Picoult.

A análise é feita por Natália.



Se me ama prove! É impressionante a necessidade que o ser humano tem de provas “concretas” de afeto, de amor.
O filme é uma prova que são diversas as provas de amor e o direito de morrer e viver o luto antecipatório.
A personagem principal não existe nesse filme, cada pedaço desse “quebra cabeça” da trama compõe uma linda história de amor em que uma menina, que luta contra a leucemia há anos, decide morrer, não mais lutar, deixar a vida acontecer e seu fim acontecer, e sua irmã que foi criada/gerada para salva-la se recusa a doar o seu rim, para a salvação da irmã.
Sua mãe demonstra forte negação da morte, tanto que engravida para salvar a filha, Não encarava o luto, não encarava a morte, no entanto sua família estava sendo destruída por sua negação da eminente morte de Katie.
A mãe, interpretada brilhantemente por Cameron Diaz, ficou obcecada pela vida e não enxergou que a mesma já havia desistido da vida, de lutar, de sonhar desde que seu primeiro namorado (com o qual pode experimentar a vida) morre de complicaçõs da leucemia.
Impressionante o momento em que a equipe de cuidados paliativos entra em ação e pergunta sobre o último pedido de Katie.
A pedido de sua irmã, Anna vai aos tribunais e pede emancipação do seu corpo e os direitos sobre o mesmo, com isso o de não transplantar o rim para a irmã Katie .
Trabalhar com o luto antecipatório é uma tarefa árdua, mexer com sentimentos enraizados de onipotência da negação da morte, a avançada luta medicinal contra a morte, a prolongação da vida a qualquer custo.
Os cuidados paliativos vieram dizer não para os avanços medicinais, aos quais exaustivamente foram testados a permitir que o luto antecipatório aconteça e que o psicólogo ou profissional da saúde lide proporcionando para a família a oportunidade de viver esse luto saudável.
A menina realizou seu último pedido, ir a praia! Uma cena emocionante que permite ver a importância de “deixar” a vida cumprir o próprio curso.
Rubens Alves brilhantemente diz em um dos seus poemas que a vida é bonita porque tem um fim. Imagine aquela musica que você mais gosta, sempre no seu ouvido ou ligada sempre? Chato né?! A música é linda porque tem um fim.
A melhor prova de amor que a menina deu foi morrer, não prolongando a vida e permitindo que os outros membros de sua família se descobrissem, descobrissem que existe uma linda vida.

Após a morte de alguém querido, é preciso redescobrir dentro de nós o que há de mais precioso daquela que nos deixou.

domingo, 27 de setembro de 2009

Personagem: Hulk


O personagem Hulk foi criado por Stan Lee e Jack Kirb em 1962. Já foi adaptado para um seriado televisivo na década de 80 (onde Bill Bixby interpretava o Bruce Banner e Lou Ferrigno interpretava o Hulk) e para o cinema (no final dos anos 80 onde a dupla retornava com seus papéis, em 2003 onde Eric Bana interpretava o Dr. Banner, em 2008 no qual o Dr. Bruce Banner era interpretado por Edward Norton. Nos dois últimos o Hulk era feito por computação gráfica).

Na foto acima estão 4 "fases": Bruce Banner, Hulk Clássico (acima), Professor e Sr Tira-Teima (abaixo).


A análise é feita por Leandro.


“Hulk esmaga!” é a primeira frase que lembramos do famoso seriado de TV, dos gibis e dos filmes, talvez lembremos ainda de um homem pintado de verde e de roupas se rasgando (nunca a parte superior da calça), ou de uma computação gráfica baseada em rosto de atores, mas sempre lembramos do personagem, um homem que quando fica bravo cresce em tamanho e força, fica verde e grita “hulk esmaga”.
Stan Lee ao criar este personagem ele se baseou no livro de Robert Louis Stevenson (O médico e o monstro) mas não tinha idéia (ou pelo menos não estava em seu consciente) que na realidade ele inicialmente caracterizou o ID, mas com o tempo outros autores caracterizaram em suas histórias o EGO e o SUPEREGO no mesmo personagem.
Darei uma breve explicação sobre o ID, EGO e SUPEREGO.
O termo ID aparece pela primeira vez na segunda teoria de Freud sobre as instancias da mente, onde também é apresentado (ou caracterizado) o ego e o superego. O Id é o nosso depósito de instintos primitivos, sexuais e agressivos, sendo totalmente imparcial e ligado ao principio do prazer.
Ou seja, os instintos primitivos (comer, beber, que embora sejam muitas vezes conscientes dão um alivio consciente e inconsciente para nós), impulsos sexuais e impulsos agressivos são prazerosos. Lembrando, estou falando em um nível inconsciente.
Toda a vontade que temos (e não são poucas) de bater em alguém por simplesmente ter derrubado um refrigerante em nós, falado algo contra você ou contra quem gostamos são reprimidas pelo nosso Superego, que é a nossa absorção dos padrões e das normas proibitivas de nossos pais e pela sociedade. Parte dela é consciente (ou seja, sabemos o que podemos ou não fazer) outra é inconsciente (sabe aquela culpa que você não sabe da onde vem? Pois é, é do inconsciente)
O personagem Hulk (em sua forma clássica) é ligado ao principio do prazer, ao impulso agressivo, sem as barreiras de normas e padrões da sociedade e pessoal.
O ego é a função executiva, ele que media o que pode ou não aparecer nessa nossa realidade, ele que media o que podemos ou não fazer neste mundo exterior. Por exemplo: alguém fecha o seu carro no transito, o primeiro pensamento é de bater no sujeito (vontade do id, agressividade), mas pensando um pouco mais sobre a conduta a ser tomada (regras da sociedade, superego) muda de idéia e simplesmente conversa com o outro com calma e todos resolvem a situação de forma prática e satisfatória (ato exercido, ego).
A personagem Hulk tem várias fases em suas histórias nos quadrinhos. Surge como o monstro verde que quer apenas bater em quem cruzar seu caminho ou machucar aquele com quem tem sua relação física e emocional, ou como o cinzento Hulk que trapaceia com sua lábia querendo sempre ganhar mais e mais por outras pessoas (conhecido como Sr. Tira-Teima), ou o Hulk consciente onde tem sua força diminuída mas possui o intelecto de seu alter-ego, Bruce Banner (conhecido pelo nome de Professor).
Em todas as suas fases (e nos filmes e seriados de televisão) o que prevalece nele é o instinto de prazer. Sempre que se zanga fica forte e destrói tudo que encontra.
Hulk, o Mr Hyde aprimorado, o manifesto do ID, o manifesto do prazer agressivo.
Com ele vemos o que podemos causar a nossa sociedade se nos entregar totalmente a nossas vontades primárias. Afinal, por ser o Hulk, ele é caçado por todos no planeta e principalmente pelo exército liderado pelo General Ross (o que torna tudo isso muito mais interessante, pois o general é pai de Betty, a esposa de Bruce Banner, o Hulk).
Todos os indivíduos tem seus instintos, desejos e anseios, muitos reprimidos e recalcados por Leis impostas pela sociedade ou pelo que aprendeu com seus cuidadores (pais ou parentes), e quando encontram com alguém que pode manifestar todos os seus desejos temem e desejam ser esse alguém.
Eu acredito que podemos conviver de forma equilibrada com nossos desejos, mas sabendo onde e como manifestá-los, ou seriamos caçados pelos “caça-hulk” (unidade especialmente criada para caçar o Hulk).

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filme: A Cor Púrpura


O filme "A Cor Púrpura" é baseado no livro homônimo de Alice Walker. A produção do filme é de Quincy Jones (também responsável pela trilha sonora), Kathleen Kennedy, Frank Marshall e Steven Spielberg, este último também dirigiu o filme. No elenco estão Danny Glover, Whoopi Goldberg, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Willard E. Pugh, Laurence Fishburne. Indicado a 11 Oscar's

Este filme (e o livro) conta a história de Celie (interpretada por Goldberg) que é violentada pelo pai logo no início da adolescência e após o parto é separada dos filhos. Doada a Mister (Danny Glover) ela passa a ser tratada como escrava e companheira dele. Quando as figuras de Shug Avery e Sofia (Margaret Avery e Oprah Winfrey, respectivamente) passama a integrar a vida de Celie uma luz de vida começa a brilhar em seu interior.


A análise é feita por Natália


O filme é comovente pelas relações parentais que se contrapõe, um pai tirano que comete incesto com uma das filhas Celie e desse incestuoso relacionamento nasce duas filhas que são separadas e privadas do convívio com a personagem principal.
As famílias como a do filme, marcadas com a violência, exige do profissional um árduo trabalho de clareza entre os seus limites e valores morais para compreender a dinâmica da família e após esse “olhar” desmistificar e desnaturalizar essas ações.
O filme se passa em 1906, época a qual as mulheres não tinham ainda o direito de escolha; a personagem Celie é tratada pelo marido como uma escrava e torna a repetir toda uma história de privação de sua personalidade e empobrecimento da sua auto-estima.
A violência domestica é velada em nossa atualidade, as mulheres tem voz mas por estereótipos enraizados em nossa sociedade essa “voz” de certa forma é calada. A cada quinze minutos uma mulher sofre uma violência doméstica velada.
Celie sofrerá uma das violências previstas por Lei Maria da Penha que caracteriza (a pouco tempo) a violência doméstica como crime, e essa violência é também psicológica, mais delicada de se provar, devido que sua marca não é expressa no corpo mas no subjetivo, ás vezes revelada na forma de queixas físicas a psicossomáticas.
Celie era marcada por uma baixa auto-estima, uma capacidade de tolerar extremas frustrações e seu modo de expressar suas dores e de escrever para sua irmã que fugiu das represálias do pai tirano.
Como essas mulheres marcadas com a violência encontram motivos para renunciar a essa vida velha e romper paradigmas enraizados? A psicoterapia sem uma visão ampla não dá conta das demandas psicossocias dessas mulheres, porém é uma parceria sistêmica e se faz necessário subsidiar essas mulheres demonstrando a mesma que tem como reconstruir essa história de novo de um outro modo.
Ressalto a relevância de trabalhar com o agressor que essa temática poderá se repetir em novo relacionamento quem é esse homem que agride a mulher ou quem é esse pai incestuoso?
Devemos não fechar os olhos para essa realidade, mas que possamos enxergar a cor púrpura diante desse problema que é a violência doméstica e sexual, buscar novos caminhos para que tanto a vítima como o agressor tenha chance de buscar novos caminhos.

sábado, 22 de agosto de 2009

Personagens: Sméagol/Gollum e Frodo


Retornamos mais uma vez aos livros e filmes "O Senhor dos Anéis". "O Senhor dos Anéis" de J.R.R. Tolkien foi adaptada para o cinema por Peter Jackson. Tolkien escreveu os três livros entre 1937 e 1949 e editou os primeiros exemplares de cada entre 1954 e 1955. O filme chegou as telas de cinema do mundo todo em 2001, 2002 e 2003.


Análise feita por Leandro.



Estava em minha casa vendo uma matéria sobre um rapaz que assassinou outro por estar sobre efeito de uma droga ilícita. O jornalista da matéria começou a reportagem com uma entrevista com a família do acusado, a família dizia que ele era tranqüilo e que os dois eram amigos. Nesse momento me lembrei de um famoso personagem dos livros de Tolkien e do filme “O Senhor dos Anéis”, Gollum.
Durante a história de “O Senhor dos Anéis” Gollum nos é apresentado como a criatura que veio atrás do seu “precioso”, que é como ele chamava o Anel do poder. Esse anel tinha o poder de despertar o mal no individuo que o usasse e o faria escravo para “nas sombras de Mordor aprisionar”. Mordor é a terra onde foi criado o Um Anel ou Anel do poder.
No primeiro livro e no terceiro filme, nos é apresentado um pouco da história de Gollum, cujo nome verdadeiro é Sméagol. O livro nos conta que ele achou o Um Anel junto com seu primo e amigo Déagol, ao olhar o anel achado e sentir sua beleza e poder, Sméagol o deseja e mata o primo apenas para ter o Anel em mãos. Devido ao crime ele é expulso do lugar onde mora e passa a viver nas Montanhas Sombrias e lá ele começa a se alimentar apenas de peixes crus e de orc’s. Ao perder o Anel, ele sai em busca do mesmo para te-lo de volta, nem que precise matar novamente para isso.
Podemos com isso fazer uma comparação aos dependentes de substancias psicoativas. Assim como essas substancias, o um Anel exercia um poder sobre seu usuário, tornando-o dependente disso, o Um Anel oferece um poder para seu usuário, o deixa mais viver mais tempo mas o preço é o modo de viver. Sméagol começou a mudar a forma de alimentação, se isolou da sociedade e suas atitudes com outras pessoas, quando as encontrava era de violência. Ficar tanto tempo utilizando o Anel, Sméagol esqueceu sua história e adotou o nome de Gollum (a sonorização que a garganta dele fazia, emitia este som “gollum”, como se estivesse tossindo) e criou uma segunda personalidade (ou será que era apenas a antiga?)
Mas este um anel teve apenas estes efeitos no Gollum? Ele também teve efeitos em outros seres, Isildur, que tirou o Anel de seu dono original, também foi afetado pelo Anel e morreu defendendo seu “tesouro”. Bilbo Bolseiro também foi afetado, não envelheceu quando o estava usando e quando reencontrou o Anel com seu sobrinho ele teve uma recaída e por um instante se pareceu como um monstro. Boromir, ao desejar o Anel, quase mata Frodo e acaba morrendo ao retornar seu pensamento em sua missão inicial.
Frodo mesmo foi um usuário do anel, mas ele contou com ajuda. Inicialmente 8 pessoas (ou seres vivos) o auxiliaram a acabar com o Anel, mas durante o caminho outras pessoas se juntaram e o ajudaram, deram coragem, mesmo sem estarem perto dele. O único que realmente ficou junto dele foi Sam, seu primo e amigo. Ao contrário de Sméagol, Frodo não matou Sam. Sam até utilizou o Anel uma vez para libertá-lo dos inimigos mas já o entregou, pois sabia que se utilizasse muito o Anel seria dependente dele. Mas o único que poderia destruir o objeto da dependência de tantos, o único que poderia acabar com um mal que assolava a tantas pessoas, esse alguém era o último usuário do Anel, Frodo.
Com isso faremos um link sobre o processo de tratamento de dependentes, seja de jogos, seja de substâncias psicoativas, ou de várias outras coisas, mas darei foco em substancias como álcool e drogas ilícitas. Notem como foi importante para o processo de destruição do Anel a ajuda de outras pessoas. Frodo precisou do apoio de Sam, Aragorn, Legolas e tantos outros que cruzaram seu caminho (inclusive obteve ajuda de Gollum, mesmo sem este querer). Frodo percebeu que não poderia participar de algo tão grande sem ajuda.
Esse reconhecimento é um dos primeiros passos para o tratamento de dependentes, é necessário que eles tenham conhecimento que aquilo faz mal para ele e para os que estão próximos, se ele perceber isso é pedir ajuda conseguirá participar de todo o tratamento e ter uma “reabilitação” mais rápido.
Em Gollum podemos ver como um individuo pode ficar ao não perceber como aquilo o está matando, de determinada forma, e acabando com sua vida social. Vemos hoje que vários dependentes, principalmente os de substâncias psicoativas, podem se tornar violentos, venderem todos os bens que possui apenas para saciar esta dependência.
Ao conversar com um amigo, que irei chamar de Samuel, sobre como ele era e estava quando era usuário de maconha e cocaína, ele me disse que por dentro estava “um caco”, não conseguia pensar direito, só queria saber de fumar mais um “cigarrinho”, ele percebeu como aquilo estava o afetando quando olhou para o espelho “cara, eu me via magro, como um esqueleto, parecia mais um fantasma de filme que com um ser humano, aí resolvi me internar”.
Esse modo como ele se viu e mais ou menos como o Gollum é, magro, sem vida, sem perspectiva. Gollum vivia para o Anel, o dependente vive apenas para a dependência dele.
Samuel me disse que o fator que mais ajudou para sair da dependência foi a ajuda dos amigos e familiares, ele ainda me disse que quem se isolava muito ou que não recebia muitas visitas, tinha um processo mais longo e difícil.
Desta forma, podemos perceber que a ajuda de outras pessoas no tratamento de dependência é fundamental, mas o único que pode acabar realmente com esta dependência é o próprio individuo.
Para concluir transcrevo um dos últimos parágrafos de “O Senhor dos Anéis”, tendo esperança que muitos daqueles que se encontram com o “Anel” possam destruí-lo e voltar para casa.
“Por fim, os três companheiros se voltaram, e sem olhar para trás mais nem uma vez sequer foram lentamente em direção de casa ... – É, aqui estou de volta”

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Livro: Bruxa, Bruxa


Este livro, ou conto, foi indicado por uma pedagoga da cidade de Santo André - SP, a Samantha. Obrigado pelo apoio e pelas sugestões.


A análise é realizada por Natália


Esse livro nos remete a infância do novo século que, podemos dizer, é mais “encurtada”. Hoje percebemos que aos 9 anos eles se auto-denominam pré-adolescentes e não mais crianças.
O ser criança se perdeu diante da pressa de ser adolescente, e o ser adulto se perdeu no fato de permanecer adolescente (se tornando um “adultescente”).
O fato é que ser criança é navegar na fantasia, é uma fase de absorção das coisas boas e más da vida. Já dizia Freud “A criança é um polimorfo perverso”, dando alusão a importância da infância e as etapas do desenvolvimento psicossexual, alertando a importância da infância carregada de subjetividade.
Não pretendo analisar o livro, apenas no seu modo geral, mas sim viajar na infância contemporânea.
O livro é bem ilustrado em suas cores, na historia o narrador (presumindo que sejam os bichos da floresta) decidem organizar uma festa, na qual sem a bruxa ninguém iria a festa. Partindo deste ponto, a figura bruxa entra em qual momento histórico?
Segundo Bettlheimexiste um tempo certo para determinadas experiências de crescimento e para a infância é o momento de aprender a transpor o imenso interior e o mundo real.
Bom e o mau, mãe que ora boa e ora é ruim, ora provem o alimento e ora provem a frustração, essa é uma figura da bruxa que fica no imaginário infantil contendo esses dois lados, bem e mal.
O bom e o mau estão presentes na história e conforme o desenvolvimento humano, aos poucos a criança consegue integrar aspectos bons e maus em uma pessoa (principalmente nos pais).
A Infância de uma forma ou de outra, está sendo mutilada e rasgada, adiantando a adolescência sem a verdadeira experiência infantil, e a autoridade é necessária e deve se fazer presente. A autoridade não é sinônimo de tirania, mas continência materna e/ou paterna dos objetos internos (medos e angustias), também sinônimo de cuidado, de carinho.
Convidar a “bruxa” para a festa é um símbolo da proteção também, demonstrando a necessidade de limite da criança, para que elas não se tornem adultos com baixa tolerância a frustração e com atitudes compensatórias.
Devemos convidar a “bruxa” para nossa festa, admitir que em nós contém o lado bruxa e fada e que podem, e devem, ser administrado para o equilíbrio.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Filme: Wall-E


Wall-e é a última animação entre a Disney e a Pixar e foi lançado em 2008. O desenho fala sobre um futuro onde, após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao auto-conserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada. Eva deixa a Terra após cumprir sua diretriz e parte para a nave onde os humanos vivem, Wall-E vai atrás dela numa adorável aventura.


A análise é feita por Leandro


No mundo de hoje é raro encontrar uma empresa que não tenha em todos os seus processos a ajuda de um computador, é raro encontrar uma escola que não tenha um site na internet, mas raro ainda é encontrar um adolescente que não saiba mexer num computador. Estamos na era digital!
Hoje o contato humano acontece muitas vezes através de sites como orkut, twitter, fotolog, blog’s, msn e outras ferramentas que se não forem utilizadas de maneira correta podem trazer prejuízo para o individuo. Digo isso devido a pesquisas realizadas pela imprensa, por outros institutos e pela minha experiência. A Rede Social Orkut, segundo o site Wikipédia, surgiu em 2004 e foi criada para ajudar as pessoas a fazerem novas amizades. Isso abrange uma rede muito larga de usuários, no orkut podemos mandar mensagens para usuários do mundo inteiro. Com esse tipo de comunicação, várias pessoas passam horas neste site (ou em outros parecidos) se comunicando com amigos do mundo inteiro. O mesmo acontece com o programa MSN. Nele duas ou mais pessoas podem se comunicar em tempo real, trocar vídeos, programas, fotos.
Existem outras formas de se comunicar e fazer amigos, como os jogos on-line chamados MMORP (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game ou Multi massive online Role-Playing Game) onde o jogador comanda um personagem e deve cumprir várias tarefas e missões para evolui-lo e torna-lo forte, ágil, habilidoso, conhecido, rico. Há vários jogos de MMORPG, os mais conhecidos são o Second Life, Cabal On-line, World of War Craft, Ragnarok On-Line. Neles a pessoa pode passar horas e horas a fio sem ao menos tem contato fisico com qualquer outra pessoa, inclusive de sua própria familia.
Devido a este fato das pessoas passarem mais tempo “falando” com outras pessoas por jogos ou msn que artigos cientificos na área de sociologia, psicologia, comunicação e informática foram criados tentando entender mais sobre o fascinio dos usuários desses programas e seus pós/contras de seu uso excessivo.
No filme Wall-E vemos exatamente o que o uso excessivo pode fazer com uma pessoa. O desenho é sobre um robô (Wall-E) que tem como função limpar o planeta da sujeira deixada pelos humanos. O planeta Terra fica inabitável e a mesma empresa que poluiu o planeta (a BNL) cria excursões pelo espaço enquanto o planeta é limpo. A excursão dura 700 anos. Dentro do fabuloso cruzeiro inter-estelar, as pessoas vivem sentadas em cadeiras eletromagnéticas, onde estao acoplados uma tela em frente ao rosto da pessoa, botões no braço da cadeira e braços para segurar copos plásticos. Nesses copos plásticos, iguais ao de uma lanchonete fast-food, é colocado todo o suprimento necessário para sustentar o ser humano, pela tela em frente ao rosto os humanos se comunicam com outros e dão ordens para os outros robôs.
Uma cena muito interessante do filme é de um homem que está sentado na cadeira e comanda um robo jogando golf, como se ele próprio estivesse jogando golf. Essa cena nos remete ao MMORPG onde o usuário se imagina como o personagem que está comprando roupas, dirigindo uma aero nave, jogando futebol ou derrotando monstros em cenarios medievais.
Outro detalhe é que cada um deles são obesos, por não terem qualquer atividade fisica mostrando uma vida sedentária, por estarem na frente da televisão. O desenho mostra que as crianças ainda no breço já são colocadas na frente de telas por robôs, banindo assim qualquer contato humano entre os bebês e entre bebês e adultos.
Estudos realizados em Havard afirmam que um dos fatores da obesidade é o excesso de televisão (fonte: site BBC). Um vicio dados aos humanos desde crianças.
Outro detalhe são os robôs, robôs que foram criados para facilitar a vida humano. Robôs massagistas, robôs enfermeiros, robôs para levantarem uma pessoa caso ela saia da cadeira, cadeiras robôs que dão alimentos e que os levam a qualquer lugar.
E cada um deles são levados a fazer isso por terem sido condicionados a acreditar em tudo que passa nessa tela, nesse computador. Quando a personagem John cai da cadeira, robôs aparecem para coloca-lo na cadeira, mas cair ele fica desesperado por terem cortado seu elo com o “mundo virtual” que vivia. Ele não tinha mais tela na sua frente, nem uma cadeira para leva-lo onde deseja, foi um efeito parecido com a ausencia de drogas num viciado.
Contudo o filme mostra duas faces da tecnologia, a face do sedentarismo e face do humanismo.
O personagem mais humano no desenho todo é o robozinho Wall-E. O filme nos mostra um robo que trabalha limpando o mundo, processando todo o lixo e compactando-o. Porém, cada vez que ele vai compactar algo ele encontra um objeto interessante para ele, um carfo, um isqueiro, uma caixa de anel, um cubo-mágico, e os guarda em sua casa, um enorme veiculo onde lá possuí um Ipod ligado a um video-cassete e assiste musicais dos anos 70. Wall-E resgata em seu comportamento infantil o humano que não aparece em nenhum dos humanos do cruzeiro. Wall-E até possui um animal de estimação, uma barata, o único ser vivo que poderia viver em todo aquele lixão.
Quando Wall-E chega na cruzeiro e esbarra em 3 de seus habitantes, uma mulher, um homem e o capitão da nave, ele mostra que o contato fisico entre as pessoas através da máquina é possivel, trás a tona todos os desejos e vontades de um individuo normal. Esse contato mostra que a alienação é péssima, mostra que é necessário conviver com os computadores e não viver através deles.
Wall-E nos mostra que podemos e devemos utilizar cada uma dessas ferramentas computadorizadas existentes em nosso mundo, mas que nunca devemos nos esquecer desse contato humano, o toque entre pessoas. Nos mostra que podemos conversar por msn, mandar recados no orkut e twitter, pesquisar matérias na internet, visualizar este blog, jogar MMORPG para se divertir, mas que devemos dosá-los com o contato humano, brincar com uma criança com brinquedos de montar, combinar de encontrar os amigos do msn, orkut e twitter numa lanchonete bacana, pesquisar matérias em livros e revistas também, sair com a/o namorada/o para ver um filme.
Contato físico entre pessoas, uma prova disso é o quanto um abraço nos faz bem quando estamos triste.Utilizar os computadores na vida e não viver por e para eles, é essa uma grande lição que podemos tirar do filme Wall-E

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filme: Divã


O filme Divã é uma produção brasileira que conta no elenco com Lilia Cabral, José Mayer, Alexandra Richter, Cauã Reymond, Reynaldo Gianechinni. Conta a história de Mercedes (Lilia Cabral) que decide ir ao analista e descobre várias facetas sobre si.

Análise feita por Natália

O filme é interessante, demonstra o que ocorre no divã, o que ocorre nesse “mundo” carregado de mistérios. Não é simplesmente um móvel utilizado em consultório de psicanálise em si está inserido um simbolismo que é a incrível viagem ao inconsciente.
A personagem principal vai em busca do divã e nesse momento constrói a sua história, no primeiro contato com o analista frente a frente a personagem “foge”porque a análise e um desafio de decidir sobre a sua vida até da onde o que começa a dizer e no desenrolar da vida no divã as decisões sobre a própria vida e isso em primeiro momento assusta.
Na analise, segundo Winnicott, ele empresta o seu self para o paciente em prol dessa “navegação em busca de nós”, a personagem foi levada a enxergar um casamento falho a se aventurar como mulher a sofrer e a enfrentar a dor de um luto de sua melhor amiga.
Frase marcante durante as cenas das sessões, o psicanalista Lopes sempre perguntava sobre a sua mãe e sua relação demonstrando a importância das relações parentais que são base para o nosso relacionamento com o mundo, algo particular do Divã a infância como base crucial da análise.
E a cura? A cura está em se escutar a se ouvir os desejos a ouvir o que há de mais precioso dentro de nós sem o exímio julgamento.
Freud com o método de associação livre falar o que vier na mente e Lacan seu discípulo que sabiamente postulou que o inconsciente é estruturado na linguagem é na linguagem que o divã tem o seu sentido.
O divã não é “resolvedor de problemas tabajara” mas como foi ilustrado pelo filme ajuda o desabafo, a escuta a sempre alguém esperando para te escutar com o ouvido atento, é na simplicidade das palavras que o divã é construído.
Análise, psicoterapia, terapia, com divã sem o divã são uma longa viagem sem previsão de volta para o interior. Descubra os mistérios do divã. Experimente

domingo, 28 de junho de 2009

Personagens: Fênix




Esse ser mitólogico povoa a literatura mundial. Na análise são citadas três personagens: Jean Grey, criada por Stan Lee e Jack Kirby para as histórias dos X-Men; Caveliro de Fênix Ikki, criado por Masami Kurumada para o manga Cavaleiros do Zodíaco; por fim Fawkes, criada por J. K. Rowling para as histórias de Harry Potter.




A análise é feita por Leandro.





Imortalidade! É a primeira palavra que vem a mente quando falamos da ave mitológica Fênix. Ela existe na mitologia grega e egípcia e é retratada como uma ave com grande força, que poderia carregar até um elefante em suas garras, e que quando estava prestes a morrer acendia um pira para queimar e renascer de suas cinzas.
Com esta característica de nunca morrer e ser muito forte, nas histórias em quadrinhos e nas mais diversas literaturas, a fênix sempre aparece como algo ou alguém que nunca morrer.
Nas histórias de X-Men temos a personagem Jean Grey que utiliza o codinome de Fênix. A própria personagem morreu (enquanto utilizava o codinome de Garota Marvel) e depois renasceu como Fênix, onde passou por crises de identidade (no arco de histórias Fênix Negra), morreu e ressuscitou novamente.
Em outra série Fênix volta a aparecer, nas histórias de Cavaleiros do Zodíaco Ikki assume a armadura de Fênix. Ele é o personagem que aparece para enfrentar o inimigo mais forte, que nenhum dos outros cavaleiros de bronze consegue enfrentar. E depois de derrotar o inimigo ele volta para uma caverna num vulcão para recuperar a armadura e seus poderes. Embora ele aparece para ajudá-los, Ikki mudou a personalidade no começo da história. Ele era o irmão bonzinho que sempre defendia o irmão mais novo, Shun, e após ir para a Ilha da Rainha da Morte muda radicalmente e volta querendo destruir os demais cavaleiros. Depois de ser derrotado ele retorna para o vulcão e descansa, e retorna mais uma vez mudado, ajudando quando quer e achar necessário.
E temos ainda a Fênix Fawkes na série de livros Harry Potter. Fawkes é a ave de estimação de Dumbledore que o transporta para fora de Hogwarts durante uma perseguição, cura Harry e Gina através de suas lágrimas, entrega uma espada a Harry, mas uma parte muito interessante é quando Harry vê Fawkes pela primeira vez. Ela estava no seu ninho, emite um som e pega fogo, logo depois nasce do meio das cinzas uma pequena ave chorando.
Notem que em todas as descrições sobre a personagem Fênix, seja em qual for o contexto, falam de uma mudança de comportamento da personagem. Ela indica uma mudança e uma mudança sofrida, pois a cada vez que a personagem aparece ele morre e depois ressuscita. Morre queimada.
Vamos lembrar que durante a Idade Média pessoas eram queimadas em fogueira enquanto ainda estavam vivas, os relatos da época falam em extrema agonia durante a morte.
Isso indica que para que nós possamos mudar temos que passar por um período de sofrimento intenso. Não há mudança sem o sofrimento.
Wellington Nogueia, fundador do Doutores da Alegria, disse numa palestra “nós morremos muitas vezes, mas de corpo presente uma só”. Isso nos leva a comparação de que cada vez que precisamos fazer algo precisamos matar a vontade de fazer o que é contrário daquilo. Quando queremos fazer uma dieta temos que matar a vontade de comer um hambúrguer comendo uma salada. Para sermos mais humildes devemos matar em nós o orgulho. E isso não é fácil.
Sempre que erramos ganhamos uma oportunidade para acertar, ganhamos a chance de ressuscitar. Mas de forma dolorosa, pois devemos aceitar que erramos para podermos acertar.
Essa mudança dolorosa fará com que sejamos imortais perante os nossos conhecidos graças ao imenso esforço de suportar os sofrimentos para concluirmos essa mudança, essa ressurreição.
Existe uma frase do século XV que diz “o homem que não é perfeitamente mortificado em si, bem depressa é tentado e vencido em coisas pequenas e vis”. Essa frase nos mostra que para vencermos pequenos e grandes desafios precisamos nos modificar, o que causaria dor, mas nos levaria a vitória.
Quem aprende mais sobre si, sobre seu sofrimento, sobre como suportar cada barreira e ressuscitar diante da derrota e da dificuldade, aprenderá como sair vitorioso desta grande aventura chamada vida

terça-feira, 23 de junho de 2009

Filme: A mulher Invisível


O filme "A Mulher Invisível" é estrelado por Selton Mello e Luana Piovani. Nele Pedro, personagem de Selton Mello, é abandonado pela esposa. Ele cai em depressão e se tranca em casa, o amigo Carlos (Vladimir Brichta) tenta ajuda-lo mas não consegue, sua vizinha Vitória (Maria Manoella) acompanha sua degradação da cozinha de sua casa. Pedro fica em depressão até que Amanda (Luana Piovani) bate em sua porta, e cuida dele sendo uma mulher perfeita. Ela consegue reerguer Pedro, mas ele descobre que Amanda é invisível. Uma comédia nacional espetacular, mais uma obra prima brasileira.


A análise abaixo é feita pela Natália.



De perto ninguém é normal, já dizia Caetano Veloso. Este filme demonstra com extrema sutileza e descontração essa frase.
Como uma forma espontânea, a personagem Pedro mostra que ao enfrentar uma situação de separação amorosa nos deparamos com a castração do nosso desejo, algo tão terrível para qualquer ser humano.
A “dor” de perder um amor ou ser libidinal a qual investimos parte do nosso ego é grande, pois na verdade nos apaixonamos por nós mesmos investindo no outro o que há de melhor em nós. Podemos comparar essa força libidinal com um trem sem maquinista, que segue com toda sua força correndo para fora dos trilhos.
A força libidinal não combina com o não e nem com a famosa “dor de cotovelo”. A dor de cotovelo é uma afronta ao nosso estado de agitação permanente, seria como se o seu trem sem maquinista e com força total ganhasse um maquinista, mas ele não é você nem o ser investido, enfim perdemos o controle do trem novamente.
O filme retrata com maestria que o personagem principal “cria” uma namorada, a mulher perfeita, a Amanda. Uma mulher disponível em sua mente que só vem a tona após Pedro passar um tempo de reclusão, devido a separação matrimonial. Ela vem para retira-lo de seu estado de torpor.
A sua criação, ou mecanismo de defesa, vem de encontro com a sua baixa tolerância a frustração. Criar um personagem para enfrentar a solidão para poder ir ao cinema, a boate, sem estar sozinho.
Ao ser confrontado com a realidade, Pedro “cai em si” e busca permanecer sóbrio diante da vida, e encontra a vizinha real que é apaixonada por ele.
Não queremos lidar com o nosso ego despedaçado com as nossas dores e angustias existenciais, lidar com a realidade e com as alegrias e tristezas, lidar com as perdas libidinais não é fácil. Investimos no outro fragmentos de nós mesmos, nossos pensamentos e emoções.
São pessoas enlutadas de amor que compõe os mais lindos poemas, músicas e obras literárias. E Pedro, utiliza dessa dor, desse luto para escrever livros, poemas e acaba se tornando um escritor de sucesso no filme.
Atualmente procuramos alivio imediato para as nossas dores com medicamentos, não que não sejam necessários, mas cria em nós um imediatismo para cessar certas dores. Mas para a dor do amor não há remédio. Dor existencial não tem remédio.
Para superá-la é preciso lutar, superar e seguir em frente, tendo a dor como aprendizado e não como ancora. É preciso lidar com a dor de amar.

Finalizo com a música de Beth Carvalho
“Como dói a dor de amar
Quem se desencanta sabe o que é chorar
Esse mundo não tem professor
Para a matéria do amor ensinar
Nem tão pouco se encontra Doutor
Dor de Amor é difícil de curar”

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Filme: A Vida é Bela


"A Vida é Bela", escrito, dirigido por Roberto Benigni ganhou 3 Oscar's: Melhor ator (Roberto Benigni), Melhor filme estrangeiro e Melhor Trilha Sonora em Drama. Este filme se passa em 1940 na Itália, onde Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência do regime Nazista.


Análise realizada por Leandro


Este filme relata a história de uma família que é presa pelos nazistas durante a segunda guerra, mas é centrado na relação de Guido e seu filho Giosué durante o tempo de cárcere.
No começo do filme, porém, não é relatado o terror dos campos de concentração, mas mostra como Guido cuida de sua família, seu tio, seus amigos, sua mulher e filho. Guido mostra sua criatividade quando poderia achar que não tem mais chance de nada.
Guido utiliza um cavalo que foi pintado por nazista com os dizeres “porco judeu” para conquistar sua amada (ele chega com o cavalo na festa de noivado dela), faz uso da criatividade para conseguir um emprego, e em outra parte para mostrar como alguém sem recursos pode ter uma vida com privilégios, a alegria.
Com o filho já crescido Guido brinca com a situação da prisão, ele diz para o filho “Isso tudo é um jogo! Quem marcar mais pontos ganhará um premio, um tanque de guerra!” e para não desesperar o filho, para que Giosué não percebesse as monstruosidades cometidas naquele campo, envolve todos os prisioneiros para que o filho possa pensar que tudo aquilo é uma brincadeira.
Guido sabia do que as terríveis imagens que o campo de concentração poderia provocar no filho. Ele mesmo agradece que o filho estivesse dormindo quando encontra um pequeno monte formado por corpos humanos.
Existe um dito popular que diz “é brincando que se aprende”, e na brincadeira Guido fez o filho dele aprender como se comportar naquelas situações de perigo. Brincando ele ensinou ao filho como sobreviver a guerra.
Guido transforma todo o medo, terror, desespero que sentia naquele campo de concentração em força de sobrevivência, o “instinto paterno” dele precisava salvar o filho, precisa fazer com que ele tivesse uma chance de sair de lá sem levar grandes traumas da guerra.
E consegue. Consegue fazer com que o filho se esconda e como premio encontre o tão esperado tanque de guerra.
Guido salva uma parte de si naquele garoto, salva a inocência, a pureza de suas brincadeiras, o amor por Dora. Mesmo não podendo salvar a si próprio ele conseguiu fazer o milagre de salvar aqueles que mais ama, o filho e a mulher.
Em outro momento do filme, Guido tenta dar um sinal para a mulher que estão bem. Ele consegue no mega fone do campo colocar a música de quando se conheceram, e ela começa a ouvir e cria força, ela demonstra ganhar uma nova energia ao perceber que as pessoas nas quais tinha investido tanto tempo, trabalho, suor, estavam vivos.
Muitos trabalhos científicos, livros, filmes, mostram que no momento de sobrevivência o que conta é salvar a própria pele, mas este filme demonstra que o instinto de sobrevivência trabalhando com o amor pelos seus familiares pode salvar não apenas a si próprio, como pode salvar um mundo, o mundo de uma criança.

domingo, 31 de maio de 2009

Filme: Os Caçadores da Arca Perdida


Os Caçadores da Arca Perdida é o primeiro produto da franquia Indiana Jones. O filme estrelado por Harrison Ford, baseado nas estórias escritas por George Lucas (criador de Star Wars) e Phillip Kaufman, dirigido por Steven Spielberg e se passa em 1936, o arqueólogo Indiana Jones viaja a procura da Arca da Aliança, que a Bíblia nos conta que contem os 10 Mandamentos dados a Moises, e enfrenta no caminho os ambiciosos nazistas e encontra um velho amor. Filme ganhador de 5 Oscar's eum Grammy por melhor trilha sonora.


A análise é realizada por Leandro.


Muitas crianças pensam em quando crescerem se tornarem caçadores, aventureiros que acham tesouros perdidos na floresta Amazônica, no meio da África ou em algum templo Budista perdido no Tibet. E quando crescem se veem entretidos com as responsabilidades do dia-a-dia, trabalhos, faculdades, casamentos, contas para pagar, médicos, transito, stress.
Muitas crianças que sonharam em ser aventureiras começaram a sonhar quando viram a série de filmes “Idiana Jones”. Eles cresceram e acharam que serem descobridores, aventureiros, era coisa de criança.
A psicoterapia nos mostra exatamente o contrario. Indiana Jones é um arqueólogo que desvenda mistérios considerados por muitos como superstição, mito. E os psicoterapeutas fazem exatamente o que? Eles escavam, descobrem, junto com o paciente, seus antigos medos, anseios, dúvidas, desejos, descobrindo pouco a pouco o que ficaram escondidos devido os nossos mecanismos de defesa e o meio que vivemos.
Mas revelar todo o conteúdo de nosso inconsciente seria vantajoso? Não causaria dano para a própria pessoa e para aqueles que estão a sua volta?
Fazendo um paralelo com o filme, quando Idiana Jones descobre a Arca da Aliança, que possui poderes inimagináveis e que concede ao seu dono o conhecimento do bem e do mal, ele é preso junto com sua namorada, Marion, durante um ataque nazista. Os nazista abrem a Arca da Aliança e são destruídos ao olharem o seu conteúdo, já Indiana e Marion ficam ilesos, com apenas alguns arranhões, já que não olharam para a Arca.
É isso que pode acontecer quando olhamos, procuramos o conteúdo de nosso inconsciente de forma errada, afobadamente.
Os conteúdos que estão em nosso inconsciente podem não nos favorecer se não estivermos preparados para eles. Se temos consciência de algo que está lá mas não estamos preparado isso pode causar grande impacto em nossa vida que não conseguiríamos conviver com tal fato.
Existem em nosso inconsciente vários e vários desejos, desejos que são liberados aos poucos para o nosso consciente, seja através da psicoterapia, sonhos ou pelas próprias conclusões. Não poderíamos viver com o conhecimento de um desejo ou realizar sempre esses desejos. Se no inconsciente de uma pessoa há uma desejo destrutivo, ao entrar em contato com esse desejo a pessoa ou transforma esse desejo destrutivo em algo saudável ou age de acordo com ele, podendo destruir uma vida.
Na psicoterapia, o terapeuta vai aos pouco entrando em contato com o inconsciente do paciente e desvendando os seus mistérios, de acordo com o que o paciente puder ou estiver disposto a procurar. Essa dupla formada na terapia pode desvendar mistérios que para um só seria impossível desvendar, podendo o paciente viver de forma mais plena e saudável.
Para finalizar, digo que não devemos esquecer esse desejo de ser um aventureiro, talvez não consigamos fazer as aventuras em lugares físicos, mas poderemos desvendar os mistérios de nossos, descobrir aos poucos os segredos da nossa própria Arca da Aliança.

domingo, 24 de maio de 2009

Livro - A Tenda Vermelha


Continuação

A história principal do livro gira em torno de Dinah, que se apaixonou por um egípcio. Ela conheceu seu amado quando foi convidada para auxiliar uma parturiente. Aos descobrir o amor entre eles, os irmãos dela matam o egípcio e Dinah fica “prisioneira dos egípcios”. Mais tarde Dinah descobre que está grávida do antigo amor e que não poderá cria-lo, devido aos costumes, por isso abre mão da maternidade. Os anos se passam, ela amadurece e conhece um novo homem e revive o amor, o feminino, o prazer e o ser mulher.
O livro transcorre de uma maneira peculiar, a busca de Dinah por sua identidade atrelada ao amor pelo filho, se submete a abandonar-se para cuidar do outro. As mulheres, com as quais tenho muito contato devido o trabalho, acabam por se doar para o outro, esvaziar-se, abamos esquecendo da nossa identidade em prol dos outros.
A nossa cultura possibilita esse modo irônico de pensar a mulher, ela como mãe, como esposa, deve pensar à priori nos filhos e no marido, depois em si mesma. O olhar para si é dito como uma forma de egoísmo.
Depois que esquecem de si acontece o esquecimento de quem se é, uma perca de identidade e vira a vida de outra pessoa (possivelmente do marido e dos filhos).
O autoconhecimento do corpo, da alma em união, o olhar sobre si e se diferenciar do outro é se assumir diante da própria história, dos deslizes, acertos, amores e dons.
Qual é o limite do sonhar, de assumir as conseqüências de ser mulher e assumir o compromisso consigo mesma?
No livro “A tenda Vermelha” Dinah se descobriu como mulher mais tarde, descobriu que devia permitir sonhar e principalmente ser amada.
“Quero sua risada mais gostosa Esse seu jeito de achar Que a vida pode ser maravilhosa Quero sua alegria escandalosa Vitoriosa por não ter Vergonha de aprender como se goza Quero toda a sua pouca castidade Quero toda a sua louca liberdade Quero toda essa vontade De passar dos seus limites E ir além, e ir além”
Ivan Lins

Permitir essa “alegria escandalosa”, assumir a feminilidade, reavivar a Tenda Vermelha para superar os limites e assumir a identidade, a felicidade de ser mulher.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Livro: A Tenda Vermelha


"A Tenda Vermelha" é um livro escrito por Anita Diamant, que conta a história de Dinah, filha do personagem bíblico Jacó e Liah, que vai crescendo em maio aquela época, vendo os acontecimentos que é contado na bíblia numa narrativa masculina. Aqui a autora, através de estudos dos hábitos da época, faz uma versão da história na visão de Dinah, apresentando costumes e o amor e a complexidade desta mulher.


Análise feita por Natália



O feminino exposto desde os primórdios. A tenda vermelha é descrita pelo livro como o lugar do feminino, as mulheres quando estavam no período menstrual ficavam reclusas em uma tenda vermelha, e é nesse lugar que partilhavam suas angústias e seus medos, lugar em que aconteciam os partos, onde realizavam as preces.
Através do olhar feminino de Dinah, ela descreve com clareza as aventuras das mulheres de sua tribo, da uma plena visão de um fato bíblico descrito por mulheres, as lutas e desafios em busca da construção do feminino.
Interligando essa magnífica histórica com nossa contemporaneidade, qual e o espaço para o feminino qual é a nossa tenda vermelha?
As mulheres nos primórdios carregavam a prole e esse era o legado, o cuidado com os filhos. Hoje as atribuições são inúmeras, casa, marido, filhos, emprego; e o ser feminino a essência da feminilidade. Será que nos perdemos diante desse papeis?
Participei de uma aula sobre o Adoecimento Feminino, dizendo dessas particularidades femininas, a menopausa, depressão, a TPM, e essas particularidades diferem o prognóstico feminino. Devido às mulheres serem seres da falta, o desejo é amplo e a visão diante da vida é diferente.
Há aspectos só nossos, que se perderam diante da multi-facetas , necessitamos ir em busca do resgaste do feminino da essência desse modo de olhar tão particular e singular, que não percamos o foco na perfeição da beleza na superficialidade do feminino, e procuremos a nossa tenda vermelha: o espaço para o feminino.

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
Milton Nascimento.

domingo, 10 de maio de 2009

Filme e livro: O Iluminado


Em 1977 Stephen King lançava mais um best-seller, neste anos foi lançado o livro "O Iluminado" e em 1980 Stanley Kubrick o adaptava para o cinema, tendo Jack Nicholson no elenco. A história é sobre uma familia que passa o inverno no hotel Overlook como zeladores, um hotel que já foi palco de assassinatos, de protituições, onde chefões da máfia já se hospedaram. O pequeno Danny passa a ver os fantasmas deste hotel, assim como o pai alcoolatra também ve. Cabe a Wendy, Danny e Jack sairem vivos deste hotel na primavera.


Análise feita por Leandro


Todos já viram ao passar numa rua um homem alcoolizado falando com alguém, dançando sozinho, reclamando baixo, olhando “pro nada”. Os efeitos da bebida em cada pessoa é diferente, inclusive os motivos para chegar a essa bebida, para chegar no alcoolismo.
Tanto no filme quanto no livro “O Iluminado” de Stephen King, Jack Torrance e sua família, a mulher Wendy e o filho Danny, vivem esta realidade: o alcoolismo.
Nele Jack Torrance consegue um emprego como zelador do luxuoso hotel Overlook durante o inverno, Jack aceita o emprego pois foi o único que conseguiu desde sua demissão da escola que trabalhava. Jack foi demitido por agredir um aluno, durante o tempo em que estava sóbrio e pensando na bebida e em sua falta.
Eles mudam durante o inverno para o hotel, que fica localizado entre as montanhas e na época do inverno fica inacessível, ninguém entra ou sai do prédio, devido a neve que fica acumulada em volta do Overlook.
Agora, quando todos estão lá Jack acha um álbum de recortes com algumas manchetes sobre o hotel, de quem viveu lá, quem comprou e vendeu o hotel, e quem morreu no hotel. Quando Jack lê pela primeira vez os recortes muitos dos sintomas que tinha quando estava alcoolizado voltam, Wendy repara nisso mas fala “ta tudo lá, o lenço, a mão na boca, menos a bebida” e com o passar do tempo dentro do hotel Jack começa a se comportar como o antigo zelador que ficou lá durante o inverno e matou toda a família, e Jack em seus delírios sobre a bebida, sobre o hotel e sobre a família, começa a beber no hotel durante o inverno. Mas no hotel não há nenhuma bebida! São os delírios criados por ele e, podemos dizer, pela família.
Reparem como a família queria essa situação, essa situação de perigo extremo, perigo de morte. Todos da família ficaram dependentes ou co-dependentes da bebida de Jack. Ninguém fez nada para tentar melhorar a situação, muito pelo contrário, faziam que a situação piorasse para eles.
Wendy não falava com o marido sobre o porque de chegar na bebida, Jack também não falava, ninguém buscou a ajuda médica para tratar esse problema. Quando Jack deixou de beber, eles simplesmente ficaram quietos sobre o assunto mas esperando que o dia da bebida voltasse.
Durante um momento do livro Jack pensa “ela, Wendy, me levou para a bebida”, ela o levara-o para a bebida através de suas perguntas, comportamento quando ele estava alcoolizado, com o comportamento quando ele estava de ressaca, quando ele tinha um problema. Porém ele também não falava do que o incomodava, queria que fossem a família perfeita para o pequeno filho de cinco anos, mas o filho sabia que a “coisa ruim”, que era a bebida e os atos violentos, não faziam da família dele a família perfeita, mas queria que ele fosse em seus desejos mais infantis.
Todos gostam de uma família feliz, porém o modo mais fácil de ter a família feliz é se enganando sobre os outros membros da família.
Imagine se todos não estivessem tão cegos e co-dependentes uns dos outros e da bebida e quando surgiu o primeiro problema com o alcoolismo de Jack eles tivessem conversado, ponderado sobre o assunto, procurado um psiquiatra ou psicólogo para os ajudar nestes momentos, procurassem o Alcoólicos Anônimos para superar esses problemas. A família poderia estar feliz, pois cada um iria se conhecer, todos reconheceriam que o problema do alcoolismo deles era uma questão geral e não individual, uma questão para a qual não se podia fechar os olhos e acreditar que tudo estava bem.
É preciso muito trabalho e companheirismo de todos da família para que ele se tornasse uma família feliz. E só de participar dessa luta, desse auto-conhecimento, a família já pode se considerar vitoriosa.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Filme: A Procura da Felicidade


"A Procura da Felicidade" filme de direção de Gabriel Muccino. Conta a história real de Chris Gardner (interpretado por Will Smith) em sua busca por ter uma emprego que desse condições melhores para o estudo de seu filho Christopher (Jaden Smith). Will Snoth concorreu ao Oscar de melhor ator por seu personagem neste filme. A análise é realizada por Natália.



A história é comovente é um ato de realidade plena e pura. Nos coloca para pensar sobre a nossa vida como lidamos com o sofrimento, com as frustrações.
Abatemos ou sustentamos diante de um sonho partimos para a pulsão de vida desse sonho, ou aniquilamos antes que ele amadureça.
O sonho de Chris Gardner personagem principal é exposto vencendo as adversidades e mantendo o foco no futuro.

A primeira adversidade é a falta de rede de apoio, sua esposa não permitia que o marido em “seus devaneios” e não acreditou manteve os pés no chão, não se apoderou desse sonho que podia dar certo.

A segunda adversidade é manter esse sonho perante a falta de recursos financeiros o abandono de sua esposa e apelos do seu filho. A cena que se desenvolve no metrô é a mais impressionante, o choro, a garra e a continência de um pai em meio ao desespero e as adversidades.

O desgaste emocional e o vinculo paterno tornaram o personagem um resiliente é a capacidade que o ser humano tem de passar por experiências adversas sem prejuízo para o seu desenvolvimento psíquico.

A resiliencia não é uma construção realizada sozinha se realiza com uma figura vincular no caso seu filho, através dessa figura de apego manifestou-se a sua resiliencia. O resiliente tolera à frustração busca mudar o seu destino, ele não só enfrenta, busca soluções.

Após a sua promoção ele não parou e buscou fazer que isso perdurasse, fez a fortuna.
A psicanálise a respeito da felicidade á controvérsias “somos seres da falta” nunca estamos satisfeitos, mas todos temos o direito de buscar a felicidade almeja-la ser resiliente em alguns aspectos da nossa vida.

Seja um sobrevivente, salve-se.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Livro e Filme: Senhor dos Anéis


Essa semana apresentaremos a análise realizada por Leandro da trilogia "Senhor dos Anéis" de J.R.R. Tolkien, adaptada para o cinema por Peter Jackson. Tolkien nasceu em 1892 na África do Sul e morreu em 1973 na Inglaterra. Foi escritor, professor e filósofo. Vários livros e revistas especializados em literatura colocam o "Senhor dos Anéis" como uma das obras mais importantes e influenciadoras do século XX. Os filmes rederam 15 Oscar's, dentre melhor filme e direção.

A história narra o conflito contra o mal que se alastra pela Terra-média, através da luta de várias raças - Humanos, Anões, Elfos, Ents e Hobbits - contra Orcs, para evitar que o "Anel do Poder" volte às mãos de seu criador Sauron, o Senhor do Escuro. Partindo dos primórdios tranqüilos do COndado, a história muda através da Terra-média e segue o curso da Guerra do Anel através dos olhos de seus personagens, especialmente do protagonista, Frodo Bolseiro.


Meu avô dizia: “Seria tão fácil se a nossa vida fosse como o desenho do Pica-Pau. Se uma bigorna caísse na nossa cabeça não morreríamos, mas apenas achataríamos”. E uma vez ouvi “Ah se eu fosse a Feiticeira, mexeria meu nariz e toda a louça ficava lavada”. E creio que várias pessoas pensaram e pensam assim.
A humanidade vive hoje num momento de extrema facilidade, se eu quiser falar com alguém no Japão posso pegar o telefone e gastar no interurbano ou posso mandar um e-mail ou “teclar” por algum messenger. Se eu quiser saber o que acontece no mundo, posso simplesmente ligar a internet e entrar num site. Mas e se eu quiser um emprego? Quiser construir uma casa? Ou crescer, ter maturidade? Para essas questões não mudou muita coisa, temos que trabalhar arduamente.
É isso que a trilogia Senhor dos Anéis pode nos ensinar. No livro e no filme um grupo de pessoas precisa destruir um anel maligno para salvar toda a terra de Arda (que é o continente que eles vivem). Mas para destruir o anel eles precisam ir na Montanha da Perdição onde o anel foi forjado para poder destruí-lo. Essa montanha fica do outro lado do continente da onde eles estão. Lá existe um exercito inimigo querendo recuperar o anel para terem um poder maior e dominar Arda.
Quem foi incumbido de destruir o anel foi um hobbit, um tipo de anel mais baixo, chamado Frodo que conta com a ajuda de seus 3 amigos hobbit’s, um elfo, um anão, dois seres humanos e um mago.
Reparem que para cumprir a tarefa Frodo precisou da ajuda de mais 8 amigos e outras pessoas que apareceram no caminho. O mago, chamado Gandalf, não faz magias para melhorar o caminho. Ele não conjura uma vassoura ou um tapete mágico para que todos viajem com segurança e conforto até a montanha da perdição. Eles todas viajam de cavalo, andam, nadam, utilizam de todos os meios normais de locomoção. Quando precisam de fogo na caverna, eles acendem uma fogueira e tochas para iluminar o caminho. E um vai ajudando o outro com suas habilidades particulares, montanhismo, geologia, habilidades marciais, culinária, medicina. Sempre ensinando aos outros o que sabem.
E a na nossa vida, aqui na terra, no nosso crescimento acontece isso. Quando criança precisamos de grande esforço para poder começar a andar, para ler e escrever batalhamos para aprender. Quando somos adolescentes e começamos a querer namorar determinada pessoa lutamos contra o medo da rejeição.
Quando estávamos aprendendo a andar, nós caiamos muito, chorávamos, mas nos erguíamos e tentávamos novamente. Para aprender a escrever o próprio nome também erramos e escrevemos feio, mas continuamos tentando até escrever certo. Para conseguir namorar uma pessoa levamos muitos nãos antes de um sim.
Hoje o mundo quer facilitar inclusive isso para nós. Quer mimar cada pessoa, facilitando essa baixa tolerância para a frustração, sem mesmo saber que isso apenas baixa mais essa tolerância. Quantos jovens não vemos que após “levar o fora” da pessoa que gosta já pensa em suicídio? Quantas pessoas que não conseguem um emprego rápido já caem em depressão ou em algum vicio?
Essa batalha para chegar ao seu objetivo é o que essa trilogia nos ensina. Se Frodo desistisse na primeira vez, quando saiu de sua vila e atravessou a floresta com bichos maiores que ele, a terra de Arda estaria perdida. Mas Frodo, Sam, Gandal, Aragorn e todos os outro enfrentarão grandes desafios, se separam no meio do caminho, se perderam, se reencontraram, lutaram e destruirão o anel.
Nessa viajem para a destruição do anel houve uma viajem de crescimento pessoal onde preconceitos foram quebrados. Na história, os elfos e os anões são povos que vivem brigando entre si, devido a preconceitos. Mas o único elfo e anão que viajaram juntos superaram esses preconceitos, superaram porque se conheceram, conviveram e um ensinou ao outro o que sabiam. Mas no começo da viajem um implicava com o outro, mas aprenderam a se admirar e criaram um grande vinculo de amizade, uma amizade maior que as outras amizades construídas na história.
Essa relação nos mostra que diferentes povos, culturas, gostos podem conviver entre si e criarem uma grande amizade.
Outros personagens conheceram grandes amores e se casaram, aquele que era um andarilho virou um rei, o que era jardineiro virou prefeito de sua vila, um pequeno mago virou o maior de todos. E quando os 4 hobbits voltaram para sua vila um dos moradores disse “quem é esse jovem gigante?” se referindo a como eles cresceram dentro e fora de si.
Os heróis não utilizaram de mágicas ou utilizaram de materiais que facilitariam a vida deles, mas utilizaram aquilo que eles tinham. Eles enfrentaram o medo e a dor para alcançar o objetivo e com isso criaram outros objetivos em suas vidas.
Se aprendermos a enfrentar nossos medos, preconceitos, anseios, alcançaremos o objetivo que quisermos e criaremos outros, e para esses outros teremos que trabalhar para consegui-los e conseguiremos alcança-los com alegria.
Termino esta pequena reflexão com uma frase do romancista inglês Charles Kingsley:"Ser obrigado a trabalhar, e obrigado a fazer o melhor possível, cria em você moderação e autocontrole, diligência e força de vontade, ânimo e satisfação, e cem outras virtudes que o preguiçoso nunca conhecerá."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Filme: Reine Sobre Mim


Hoje trazemos a análise do filme Reine Sobre Mim de Mike Binder. O filme fala da história de Charlie (interpretado por Adam Sandler) e Alan (Don Cheadle) que se encontram após anos e retomam a amizade. Essa amizade mexe com os sentimentos de ambos, Charlie perdeu a familia num acidente e Alan se sente sobrecarregado pelas responsabilidade profissionais e pessoais.


A análise é feita pela psicóloga Natália


Filme: “Reine Sobre Mim”

O filme demonstra, ou melhor, mostra um lado da vida que esquecemos: a morte

Freud nos diz: “Mas será que não devemos confessar que, com nossa atitude civilizada diante da morte, temos nos elevado mais uma vez acima de nossa condição e devemos, portanto renunciar á mentira e declarar a verdade? Não seria melhor dar a morte na realidade e, em nossos pensamentos, o lugar que lhe corresponde” Freud 1915
O filme nos lança uma pergunta de uma forma sutil e límpida: “Se fosse eu que perdesse toda a minha família, como eu agiria?”
Devido a morte da mulher e dos filhos, Charlie rompe com o passado obscuro e faz uma outra realidade, uma vida de adolescente, sem compromissos, “criando um mundo paralelo”. Isso acaba entrando em conflito com sua idade cronológica.
A baixa auto-estima, melancolia, a cozinha nunca acabada (terminar de construir a cozinha foi um pedido da esposa) são sinais de luto patológico.
A amizade de Charlie com Alan foi o único vínculo criado que o despertou para a vida, o seu amigo não sabia do seu passado, pois tinham passados anos que eles não se viam, e essa amizade levou ao rompimento e descontentamento com essa vida, aproximando-o ao seu tempo o gosto pela vida.
Existe uma estreita faixa entre luto normal e luto patológico. O luto normal dura entre seis meses a dois anos atravessando diversas fases. O luto patológico, que é o que o filme nos traz, nos remete a importância de pequenos momentos, um sorriso, um abraço, a realização de um sonho.
O seu vínculo fortalecido com o amigo o ajuda a elaborar suas questões sobre a vida, a comunicação com a vida, o direito de ser ele e não uma representação. Isso nos dois personagens, pois quando Alan reencontra o amigo Charlie, ele começa a passar um pequeno período de crise no casamento e a amizade que trouxe a crise o ajudou a superá-la.
Finalizo com uma frase conhecida e bíblica, que se encontra no livro de Eclesiastes, capítulo 3 versículo 2:
“Existe um tempo para cada coisa, ... há um tempo para nascer e para morrer”

Viva a vida e lembre-se que ela é bela porque tem um fim.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

HQ: Arlequina


Arlequina é uma personagem criada por Paul Dini e Bruce Timm para o desenho animado do Batman em 1992, com a popularidade da personagem, logo ela estreou nos quadrinhos. A personagem é uma ex-psiquiatra do manicômio judiciário Asilo Arkham, criminosa companheira do vilão coringa.


A análise foi feita por Leandro



Harleen Quinzel é uma psiquiatra que trabalha no Asilo Arkham, que é um manicômio judiciário, na cidade de Gotham. Lá ela trata de diversos pacientes, como o Charada, Hera Venenosa, Duas-Caras, incluindo o Coringa. Nas sessões que decorreram, a Psiquiatra acaba apaixonando-se pelo Coringa e para agrada-lo (e liberta-lo do manicômio) ela assume a identidade de Arlequina e começa acometer crimes junto com seu amado vilão, o Coringa.
Isso nos remete a duas funções básicas da teoria psicanalítica, a Transferência e a Contratransferência.
A Transferência seria o deslocamento de sentimentos positivos ou negativos inconscientes do paciente para o terapeuta/analista.
A Contratransferência é o conjunto de reações inconsciente do terapeuta/analista à pessoa do paciente e sua transferência.
Esses mecanismos são básicos para o andamento da terapia psicanalítica. Esses mecanismos ajudam o paciente na relação com a cura, ou sua busca pela cura, de determinado transtorno. Mas se não for bem trabalhada essa transferência na análise, isso pode ocasionar em alguma obsessão do paciente para o analista. Claro que traços dessa obsessão já poderiam serem identificados durante as sessões.
E a contratransferência? Se o analista não souber trabalha-la, poderá prejudicar a vida do paciente.
Vejamos o caso de Harllen Quinzel nas história do Batman. Ela é psiquiatra e começa a tratar detentos do manicômio judiciário Asilo Arkham. Ela trata todos com ética, mas ao tratar do Coringa, algo acontece. O Coringa começa a trazer presentes para a psiquiatra. Nas histórias, Harleen “vive” apenas para o Arkham. Trabalha e estuda no próprio Asilo, lá faz seus experimentos. Não sai, não possui relações sociais fora do trabalho, assim o Coringa acaba conquistando-a com seu charme.
Ouvi um comentário sobre essa história uma vez que dizia “Como uma pessoa em sã consciência pode se apaixonar por um serial-killer como o Coringa?” E eu pensei “Ela realmente está, no que possamos dizer, em sã consciência?”. Sentimentos sentidos pelos pais dela acabam sendo projetados no Coringa, que nas ultimas sessões acaba assumindo uma posição de analista de Harllen. Com esses sentimentos, Harllen acaba assumindo outra identidade, a Arlequina. Onde a antiga Harleen Quinzel deixou de existir para dar lugar à Arlequina.
Vejamos como foi o trabalho de Harllen, nas ultimas sessões o paciente começou à trata-la! A analista não teve um apoio de psicoterapias individuais para dar suporte emocional no trabalho, não teve apoio profissional durante seu trabalho no Arkham, como nos mostra as histórias. Não pode viver uma vida “normal” para poder tratar das pessoas que precisavam da ajuda dela.
As histórias em quadrinhos do Batman, nesta personagem, nos mostra o quão importante é a nossa relação social fora do trabalho, do estudo ou da própria casa. Como é importante desviarmos nossa atenção do dia-a-dia em outras coisas. Nos mostra a importância da supervisão em casos clínicos, na terapia pessoal nos profissionais da saúde.
Se a Contratransferência não for trabalha, vemos neste caso o perigo que pode representar, a perda do antigo eu para um novo. Uma patologia gravíssima, que poderia ser tratada caso fosse apresentado o suporte. Infelizmente neste caso o único suporte existente foi o do vilão Coringa.
Se Harleen tivesse feito a terapia anteriormente, ela teria se tornado a Arlequina? Se ela tivesse encontrado um analista experiente que pudesse trabalhar essas transferências, ela teria desenvolvido essa patologia? Ela teria continuado o trabalho como psiquiatra?
Isso nos remete a nossa realidade. Podemos continuar o nosso trabalho se nosso emocional estiver abalado?
Harleen Quinzel nos deixou uma dica. Procurar nos manter saudáveis para não adoecermos de forma a machucar os outros.



quarta-feira, 25 de março de 2009

Filme: O curioso Caso de Benjamin Button


O filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett é analisado esta semana. Este filme fala sobre a história de Benjamin Button, que é abandonado por seu pai as portas de um asilo ao ver que o bebe tinha aparencia de um idoso de 80 anos ou mais. Este bebe-idoso é criado neste asilo e durante seu desenvolvimento ele vai rejuvenescendo. O filme foi indicado a 13 Oscar's e ganhou 3, de melhor Efeitos Especiais, Melhor Direção e Melhor Maquiagem.


A análise abaixo é realizada pela psicóloga Natália


O filme abaixo me remeteu a natureza humana. Winnicott disse:
“O desenvolvimento prossegue com o passar do tempo, e gradualmente a criança se transforma no homem ou na mulher nem cedo, nem tarde demais. A meia-idade chega na época certa, com outras mudanças igualmente adequadas, e finalmente a velhice vem desacelerar os vários funcionamentos até que a morte natural surge como a derradeira marca de saúde”.
No filme, Benjamin vive ao contrário, nasce velho e morre bebê, transcendendo a lei da vida e nos levando ao paralelo e a reflexão sobre o ditado “as coisas são como são”.
Se a saúde psíquica é avaliada em termos de crescimento emocional (um de seus fatores) tendo em vista a sua idade no momento, refere, assim, ao ser humano uma responsabilidade perante o ambiente.
“As coisas são como são”, a natureza humana nos propõe que nasceremos no período de dependência absoluta aprendendo e absorvendo do ambiente. Na adolescência, fase de rompimento dos pais heróis para a contestação e afirmação no mundo, na vida adulta que nos força a responder pelo ambiente. A velhice, a fase da colheita e da ceia.
Todas as fases da vida tem o mel e o fel, a busca da maturidade, a busca pela natureza humana.
No filme Benjamin tinha um corpo de velho, mas quem habitava era um menino. Vendo o filme podemos entender o simbolismo do ditado popular “Quando velho, retornamos a infância, o velho fica criança”.
O filme também nos mostra o mais justo resgate da criança que habita em nós e que grita de vez em quando querendo brincar com a vida.
Como é válido carregar conosco a curiosidade da criança, a ousadia de um adolescente, a perspicácia de um adulto e o saudosismo do velho.

A natureza é o sentido da realidade, o sentido da vida.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Livro: A Cura de Schopenhauer


A próxima análise é sobre o livro "A Cura de Schopenhauer". Nele, Julius Hertzfeld descobre que está com cancer e que tem apenas um ano de vida. Começa a procura por antigos pacientes e encontra com Philip Slate e o convida para participar do grupo de terapia enquanto Philip o ensian um pouco sobre quem foi Artur Schopenhauer. No livro os capítulos osbre a história principal e uma pequena biografia de Schopenhauer são intercalados. Irvin D. Yalom é o autor deste livro, assim como de "Quando Nietzsche Chorou", "Mentiras no Divã", "O Carrasco do Amor" entre outros.


Quem realiza está análise é o estudante Leandro, co-criador deste blog.



O livro “A Cura de Schoppenhauer” pode nos falar diferentes coisas, inclusive ao ler este livro vi várias facetas que podem ser analisadas, mas irei focar na Resiliencia presente em Julius Hertzfeld.
Julius descobre no começo do livro que está prestes a morrer de câncer, o médico tem a previsão de um ano de vida. Inicialmente ele cai num estado depressivo, apenas vendo a família e alguns amigos. Tira férias, mas ao invés de se animar ele fica cada mais triste, “para baixo”. Então ele resolve voltar ao trabalho e verificar os antigos pacientes que teve, quais foram seus passos após a terapia. E Julius se depara com Philip, um caso que para ele parece ter se perdido no tempo e na vida. Acredita que não fez um bom trabalho e vai atrás de Philip para ver o que aconteceu. Ao se deparar os dois fazem uma troca, um dá supervisão par ao outro em um grupo de terapia e outro ensina sobre Schopenhauer. Nesta hora podemos ver que toda a energia que ele estava depositando no fato “vou morrer” se voltou para o trabalho, para o grupo de terapia, para Philip e todos os outros componentes.
A Resiliencia para a psicologia é o processo de enfrentar adversidades.
É nesse processo que o livro se centra. Embora haja muitos outros aspectos nele e outros temas, compreendi que este é o aspecto principal dele.
E não é apenas na resiliencia de Julius, mas sim na de todos os outros componentes do grupo, em como Tony reage ao se ver numa relação amorosa que não poderia acontecer e está abalada pela presença de Philip; em como Philip reage e reagiu em diversas situações de sua vida; de Pam em sua perda do marido e do amante, Stuart por sua mulher ameaçar de deixa-lo sozinho; como Bonnie lida com a solidão e rejeição.
Durante a história do livro não é mostrado a convivência de Julius com os amigos e com os filhos desde que Philip entra na história. Nos é mostrado que Julius centra todas as suas energias no grupo de terapia e no caso de Philip, que o ensina um pouco sobre Schopenhauer e como a filosofia o ajudou a superar, ou de recalcar, alguns problemas (daí o título do livro).
Julius tenta deixar um legado através de seu trabalho com os pacientes, tanto do grupo como da terapia individual. Sente que somente assim terá feito algo para ajudar os outros, mas eu ainda diria que seria uma forma de imortalizar, de fecundar o que aprendeu e viveu nos pacientes, transformando-os em filhos. Fazendo uma comparação, Julius tenta fazer o mesmo que Winnicott, que não teve filhos mas deixou um legado de conhecimento e sabedoria através de seus artigos, pacientes e amigos. Mesmo que Julius tenha tido filhos, eles não são mostrados como figuras de grande importância no decorrer do livro. Julius, após perder a esposa, foca em seu trabalho e ao saber que irá morrer faz o mesmo. Transformar o trabalho, seja ele através dos artigos ou dos pacientes em filhos.
Luta para conseguir deixar sua marca no mundo e fazer com que as pessoas que entraram em contato com ele no futuro digam “foi o doutor Julius que me ajudou”. Para alguns isso pode parecer um pouco egoísta, afinal ele tenta ser um “Salvador da Pátria”, mas digo o contrário, digo que ele apresenta através de suas experiências pessoais e profissionais que mesmo que outros nos orientem em determinados caminhos somente a própria pessoa pode caminhar por esse caminho.
Julius ao utilizar essa dor, agonia ao saber da morte ele luta para fazer algo bom, que o faça bem e que faça outros se sentirem bem.
Termino dizendo que esse mecanismo, esse processo, é citado em diversas literaturas, sejam elas sobre a psicologia ou sobre outros fatos reais ou não, e termino com uma dessas citações que nos transporta a esse realidade, de enfrentarmos determinada situação para podermos crescer e nos fortificar.
“Combati o bom combate ... agora só me resta a coroa”
2ª Carta a Timóteo, capítulo 4, versículos 7 e 8

quarta-feira, 11 de março de 2009

Filme: Fale com Ela


Nesta quarta, trazemos mais um filme analisado, é o filme "Fale com Ela" escrito e dirigido por Pedro Almodóvar, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original e indicado ao premio de melhor diretor em 2003. Este filme fala da relação que um enfermeiro tem com uma paciente em coma, ele fala com ela. Este comportamento acaba contagiando outras pessoas dentro do hospital e acaba revelando um sentimento que afeta a relação entre quem está em coma e quem não está.

A análise abaixo é feita pela psicóloga Natália.


O filme Fale com Ela nos remete a realidade que é vivenciada no hospital, a importância de ultrapassar os limites de cuidados de enfermagem para o paciente que está em coma; entretanto proporcionar que nessa fase, ele se sinta acolhido em sua angustia, criando condições para enfretamento dessa incógnita que é o coma.
Benigno o enfermeiro, mesmo sabendo que o córtex cerebral, fora destruído e que a paciente não teria emoções e sentimentos, a cuidava de uma maneira especial. Acredito que a sua identidade se interpelou com a dele, ele passou a viver a vida dela, comparecendo a filmes e a peça de teatro que ela apreciava.
O pai confiava em seus cuidados, sendo que poucas vezes aparece a sua figura no filme, o cuidado era inteiramente entregue a Benigno que desempenhava o seu papel, com amor e dedicação.
O coma é um estado de sofrimento para a família que aguarda o renascimento do seu ente querido, para recomeçar uma nova história, ou aguardar a morte chegar. No caso do filme havia uma esperança, já que a personagem estava em coma por quatro anos.
Benigno auxiliou também a outros pacientes. O namorado de Lydia, que esta em coma, se espelha no enfermeiro, aceita o conselho e fala com ela, revelando que existia vida em cada gesto.
O psicólogo no hospital deve participar dessa realidade, acolhendo o paciente em coma, atendendo a sua família, desmistificando o ‘’devemos ficar longe’’, levando a família a refletir sobre o coma e as suas facetas.
Facetas essas que reforçam a importância do psicólogo hospitalar, oferecendo o seu ego para o paciente em estado de coma, para a sua família. Amplio essa idéia reforçando a humanização dos hospitais; o filme demonstra a relevância de falar com esses pacientes, de falar com eles.
Benigno, acreditava que a paciente estava viva, sendo que concebeu um filho com ela. Para ele não existia coma. Quando soube da suposta morte se suicida, não suportando perder a sua identidade que estava conectada com ela.
“O psicólogo na instituição hospitalar deve principalmente, permitir que o paciente evidencie seu sentimento”. Rodrigues, 2008.