quarta-feira, 29 de abril de 2009

Filme: A Procura da Felicidade


"A Procura da Felicidade" filme de direção de Gabriel Muccino. Conta a história real de Chris Gardner (interpretado por Will Smith) em sua busca por ter uma emprego que desse condições melhores para o estudo de seu filho Christopher (Jaden Smith). Will Snoth concorreu ao Oscar de melhor ator por seu personagem neste filme. A análise é realizada por Natália.



A história é comovente é um ato de realidade plena e pura. Nos coloca para pensar sobre a nossa vida como lidamos com o sofrimento, com as frustrações.
Abatemos ou sustentamos diante de um sonho partimos para a pulsão de vida desse sonho, ou aniquilamos antes que ele amadureça.
O sonho de Chris Gardner personagem principal é exposto vencendo as adversidades e mantendo o foco no futuro.

A primeira adversidade é a falta de rede de apoio, sua esposa não permitia que o marido em “seus devaneios” e não acreditou manteve os pés no chão, não se apoderou desse sonho que podia dar certo.

A segunda adversidade é manter esse sonho perante a falta de recursos financeiros o abandono de sua esposa e apelos do seu filho. A cena que se desenvolve no metrô é a mais impressionante, o choro, a garra e a continência de um pai em meio ao desespero e as adversidades.

O desgaste emocional e o vinculo paterno tornaram o personagem um resiliente é a capacidade que o ser humano tem de passar por experiências adversas sem prejuízo para o seu desenvolvimento psíquico.

A resiliencia não é uma construção realizada sozinha se realiza com uma figura vincular no caso seu filho, através dessa figura de apego manifestou-se a sua resiliencia. O resiliente tolera à frustração busca mudar o seu destino, ele não só enfrenta, busca soluções.

Após a sua promoção ele não parou e buscou fazer que isso perdurasse, fez a fortuna.
A psicanálise a respeito da felicidade á controvérsias “somos seres da falta” nunca estamos satisfeitos, mas todos temos o direito de buscar a felicidade almeja-la ser resiliente em alguns aspectos da nossa vida.

Seja um sobrevivente, salve-se.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Livro e Filme: Senhor dos Anéis


Essa semana apresentaremos a análise realizada por Leandro da trilogia "Senhor dos Anéis" de J.R.R. Tolkien, adaptada para o cinema por Peter Jackson. Tolkien nasceu em 1892 na África do Sul e morreu em 1973 na Inglaterra. Foi escritor, professor e filósofo. Vários livros e revistas especializados em literatura colocam o "Senhor dos Anéis" como uma das obras mais importantes e influenciadoras do século XX. Os filmes rederam 15 Oscar's, dentre melhor filme e direção.

A história narra o conflito contra o mal que se alastra pela Terra-média, através da luta de várias raças - Humanos, Anões, Elfos, Ents e Hobbits - contra Orcs, para evitar que o "Anel do Poder" volte às mãos de seu criador Sauron, o Senhor do Escuro. Partindo dos primórdios tranqüilos do COndado, a história muda através da Terra-média e segue o curso da Guerra do Anel através dos olhos de seus personagens, especialmente do protagonista, Frodo Bolseiro.


Meu avô dizia: “Seria tão fácil se a nossa vida fosse como o desenho do Pica-Pau. Se uma bigorna caísse na nossa cabeça não morreríamos, mas apenas achataríamos”. E uma vez ouvi “Ah se eu fosse a Feiticeira, mexeria meu nariz e toda a louça ficava lavada”. E creio que várias pessoas pensaram e pensam assim.
A humanidade vive hoje num momento de extrema facilidade, se eu quiser falar com alguém no Japão posso pegar o telefone e gastar no interurbano ou posso mandar um e-mail ou “teclar” por algum messenger. Se eu quiser saber o que acontece no mundo, posso simplesmente ligar a internet e entrar num site. Mas e se eu quiser um emprego? Quiser construir uma casa? Ou crescer, ter maturidade? Para essas questões não mudou muita coisa, temos que trabalhar arduamente.
É isso que a trilogia Senhor dos Anéis pode nos ensinar. No livro e no filme um grupo de pessoas precisa destruir um anel maligno para salvar toda a terra de Arda (que é o continente que eles vivem). Mas para destruir o anel eles precisam ir na Montanha da Perdição onde o anel foi forjado para poder destruí-lo. Essa montanha fica do outro lado do continente da onde eles estão. Lá existe um exercito inimigo querendo recuperar o anel para terem um poder maior e dominar Arda.
Quem foi incumbido de destruir o anel foi um hobbit, um tipo de anel mais baixo, chamado Frodo que conta com a ajuda de seus 3 amigos hobbit’s, um elfo, um anão, dois seres humanos e um mago.
Reparem que para cumprir a tarefa Frodo precisou da ajuda de mais 8 amigos e outras pessoas que apareceram no caminho. O mago, chamado Gandalf, não faz magias para melhorar o caminho. Ele não conjura uma vassoura ou um tapete mágico para que todos viajem com segurança e conforto até a montanha da perdição. Eles todas viajam de cavalo, andam, nadam, utilizam de todos os meios normais de locomoção. Quando precisam de fogo na caverna, eles acendem uma fogueira e tochas para iluminar o caminho. E um vai ajudando o outro com suas habilidades particulares, montanhismo, geologia, habilidades marciais, culinária, medicina. Sempre ensinando aos outros o que sabem.
E a na nossa vida, aqui na terra, no nosso crescimento acontece isso. Quando criança precisamos de grande esforço para poder começar a andar, para ler e escrever batalhamos para aprender. Quando somos adolescentes e começamos a querer namorar determinada pessoa lutamos contra o medo da rejeição.
Quando estávamos aprendendo a andar, nós caiamos muito, chorávamos, mas nos erguíamos e tentávamos novamente. Para aprender a escrever o próprio nome também erramos e escrevemos feio, mas continuamos tentando até escrever certo. Para conseguir namorar uma pessoa levamos muitos nãos antes de um sim.
Hoje o mundo quer facilitar inclusive isso para nós. Quer mimar cada pessoa, facilitando essa baixa tolerância para a frustração, sem mesmo saber que isso apenas baixa mais essa tolerância. Quantos jovens não vemos que após “levar o fora” da pessoa que gosta já pensa em suicídio? Quantas pessoas que não conseguem um emprego rápido já caem em depressão ou em algum vicio?
Essa batalha para chegar ao seu objetivo é o que essa trilogia nos ensina. Se Frodo desistisse na primeira vez, quando saiu de sua vila e atravessou a floresta com bichos maiores que ele, a terra de Arda estaria perdida. Mas Frodo, Sam, Gandal, Aragorn e todos os outro enfrentarão grandes desafios, se separam no meio do caminho, se perderam, se reencontraram, lutaram e destruirão o anel.
Nessa viajem para a destruição do anel houve uma viajem de crescimento pessoal onde preconceitos foram quebrados. Na história, os elfos e os anões são povos que vivem brigando entre si, devido a preconceitos. Mas o único elfo e anão que viajaram juntos superaram esses preconceitos, superaram porque se conheceram, conviveram e um ensinou ao outro o que sabiam. Mas no começo da viajem um implicava com o outro, mas aprenderam a se admirar e criaram um grande vinculo de amizade, uma amizade maior que as outras amizades construídas na história.
Essa relação nos mostra que diferentes povos, culturas, gostos podem conviver entre si e criarem uma grande amizade.
Outros personagens conheceram grandes amores e se casaram, aquele que era um andarilho virou um rei, o que era jardineiro virou prefeito de sua vila, um pequeno mago virou o maior de todos. E quando os 4 hobbits voltaram para sua vila um dos moradores disse “quem é esse jovem gigante?” se referindo a como eles cresceram dentro e fora de si.
Os heróis não utilizaram de mágicas ou utilizaram de materiais que facilitariam a vida deles, mas utilizaram aquilo que eles tinham. Eles enfrentaram o medo e a dor para alcançar o objetivo e com isso criaram outros objetivos em suas vidas.
Se aprendermos a enfrentar nossos medos, preconceitos, anseios, alcançaremos o objetivo que quisermos e criaremos outros, e para esses outros teremos que trabalhar para consegui-los e conseguiremos alcança-los com alegria.
Termino esta pequena reflexão com uma frase do romancista inglês Charles Kingsley:"Ser obrigado a trabalhar, e obrigado a fazer o melhor possível, cria em você moderação e autocontrole, diligência e força de vontade, ânimo e satisfação, e cem outras virtudes que o preguiçoso nunca conhecerá."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Filme: Reine Sobre Mim


Hoje trazemos a análise do filme Reine Sobre Mim de Mike Binder. O filme fala da história de Charlie (interpretado por Adam Sandler) e Alan (Don Cheadle) que se encontram após anos e retomam a amizade. Essa amizade mexe com os sentimentos de ambos, Charlie perdeu a familia num acidente e Alan se sente sobrecarregado pelas responsabilidade profissionais e pessoais.


A análise é feita pela psicóloga Natália


Filme: “Reine Sobre Mim”

O filme demonstra, ou melhor, mostra um lado da vida que esquecemos: a morte

Freud nos diz: “Mas será que não devemos confessar que, com nossa atitude civilizada diante da morte, temos nos elevado mais uma vez acima de nossa condição e devemos, portanto renunciar á mentira e declarar a verdade? Não seria melhor dar a morte na realidade e, em nossos pensamentos, o lugar que lhe corresponde” Freud 1915
O filme nos lança uma pergunta de uma forma sutil e límpida: “Se fosse eu que perdesse toda a minha família, como eu agiria?”
Devido a morte da mulher e dos filhos, Charlie rompe com o passado obscuro e faz uma outra realidade, uma vida de adolescente, sem compromissos, “criando um mundo paralelo”. Isso acaba entrando em conflito com sua idade cronológica.
A baixa auto-estima, melancolia, a cozinha nunca acabada (terminar de construir a cozinha foi um pedido da esposa) são sinais de luto patológico.
A amizade de Charlie com Alan foi o único vínculo criado que o despertou para a vida, o seu amigo não sabia do seu passado, pois tinham passados anos que eles não se viam, e essa amizade levou ao rompimento e descontentamento com essa vida, aproximando-o ao seu tempo o gosto pela vida.
Existe uma estreita faixa entre luto normal e luto patológico. O luto normal dura entre seis meses a dois anos atravessando diversas fases. O luto patológico, que é o que o filme nos traz, nos remete a importância de pequenos momentos, um sorriso, um abraço, a realização de um sonho.
O seu vínculo fortalecido com o amigo o ajuda a elaborar suas questões sobre a vida, a comunicação com a vida, o direito de ser ele e não uma representação. Isso nos dois personagens, pois quando Alan reencontra o amigo Charlie, ele começa a passar um pequeno período de crise no casamento e a amizade que trouxe a crise o ajudou a superá-la.
Finalizo com uma frase conhecida e bíblica, que se encontra no livro de Eclesiastes, capítulo 3 versículo 2:
“Existe um tempo para cada coisa, ... há um tempo para nascer e para morrer”

Viva a vida e lembre-se que ela é bela porque tem um fim.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

HQ: Arlequina


Arlequina é uma personagem criada por Paul Dini e Bruce Timm para o desenho animado do Batman em 1992, com a popularidade da personagem, logo ela estreou nos quadrinhos. A personagem é uma ex-psiquiatra do manicômio judiciário Asilo Arkham, criminosa companheira do vilão coringa.


A análise foi feita por Leandro



Harleen Quinzel é uma psiquiatra que trabalha no Asilo Arkham, que é um manicômio judiciário, na cidade de Gotham. Lá ela trata de diversos pacientes, como o Charada, Hera Venenosa, Duas-Caras, incluindo o Coringa. Nas sessões que decorreram, a Psiquiatra acaba apaixonando-se pelo Coringa e para agrada-lo (e liberta-lo do manicômio) ela assume a identidade de Arlequina e começa acometer crimes junto com seu amado vilão, o Coringa.
Isso nos remete a duas funções básicas da teoria psicanalítica, a Transferência e a Contratransferência.
A Transferência seria o deslocamento de sentimentos positivos ou negativos inconscientes do paciente para o terapeuta/analista.
A Contratransferência é o conjunto de reações inconsciente do terapeuta/analista à pessoa do paciente e sua transferência.
Esses mecanismos são básicos para o andamento da terapia psicanalítica. Esses mecanismos ajudam o paciente na relação com a cura, ou sua busca pela cura, de determinado transtorno. Mas se não for bem trabalhada essa transferência na análise, isso pode ocasionar em alguma obsessão do paciente para o analista. Claro que traços dessa obsessão já poderiam serem identificados durante as sessões.
E a contratransferência? Se o analista não souber trabalha-la, poderá prejudicar a vida do paciente.
Vejamos o caso de Harllen Quinzel nas história do Batman. Ela é psiquiatra e começa a tratar detentos do manicômio judiciário Asilo Arkham. Ela trata todos com ética, mas ao tratar do Coringa, algo acontece. O Coringa começa a trazer presentes para a psiquiatra. Nas histórias, Harleen “vive” apenas para o Arkham. Trabalha e estuda no próprio Asilo, lá faz seus experimentos. Não sai, não possui relações sociais fora do trabalho, assim o Coringa acaba conquistando-a com seu charme.
Ouvi um comentário sobre essa história uma vez que dizia “Como uma pessoa em sã consciência pode se apaixonar por um serial-killer como o Coringa?” E eu pensei “Ela realmente está, no que possamos dizer, em sã consciência?”. Sentimentos sentidos pelos pais dela acabam sendo projetados no Coringa, que nas ultimas sessões acaba assumindo uma posição de analista de Harllen. Com esses sentimentos, Harllen acaba assumindo outra identidade, a Arlequina. Onde a antiga Harleen Quinzel deixou de existir para dar lugar à Arlequina.
Vejamos como foi o trabalho de Harllen, nas ultimas sessões o paciente começou à trata-la! A analista não teve um apoio de psicoterapias individuais para dar suporte emocional no trabalho, não teve apoio profissional durante seu trabalho no Arkham, como nos mostra as histórias. Não pode viver uma vida “normal” para poder tratar das pessoas que precisavam da ajuda dela.
As histórias em quadrinhos do Batman, nesta personagem, nos mostra o quão importante é a nossa relação social fora do trabalho, do estudo ou da própria casa. Como é importante desviarmos nossa atenção do dia-a-dia em outras coisas. Nos mostra a importância da supervisão em casos clínicos, na terapia pessoal nos profissionais da saúde.
Se a Contratransferência não for trabalha, vemos neste caso o perigo que pode representar, a perda do antigo eu para um novo. Uma patologia gravíssima, que poderia ser tratada caso fosse apresentado o suporte. Infelizmente neste caso o único suporte existente foi o do vilão Coringa.
Se Harleen tivesse feito a terapia anteriormente, ela teria se tornado a Arlequina? Se ela tivesse encontrado um analista experiente que pudesse trabalhar essas transferências, ela teria desenvolvido essa patologia? Ela teria continuado o trabalho como psiquiatra?
Isso nos remete a nossa realidade. Podemos continuar o nosso trabalho se nosso emocional estiver abalado?
Harleen Quinzel nos deixou uma dica. Procurar nos manter saudáveis para não adoecermos de forma a machucar os outros.



quarta-feira, 25 de março de 2009

Filme: O curioso Caso de Benjamin Button


O filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett é analisado esta semana. Este filme fala sobre a história de Benjamin Button, que é abandonado por seu pai as portas de um asilo ao ver que o bebe tinha aparencia de um idoso de 80 anos ou mais. Este bebe-idoso é criado neste asilo e durante seu desenvolvimento ele vai rejuvenescendo. O filme foi indicado a 13 Oscar's e ganhou 3, de melhor Efeitos Especiais, Melhor Direção e Melhor Maquiagem.


A análise abaixo é realizada pela psicóloga Natália


O filme abaixo me remeteu a natureza humana. Winnicott disse:
“O desenvolvimento prossegue com o passar do tempo, e gradualmente a criança se transforma no homem ou na mulher nem cedo, nem tarde demais. A meia-idade chega na época certa, com outras mudanças igualmente adequadas, e finalmente a velhice vem desacelerar os vários funcionamentos até que a morte natural surge como a derradeira marca de saúde”.
No filme, Benjamin vive ao contrário, nasce velho e morre bebê, transcendendo a lei da vida e nos levando ao paralelo e a reflexão sobre o ditado “as coisas são como são”.
Se a saúde psíquica é avaliada em termos de crescimento emocional (um de seus fatores) tendo em vista a sua idade no momento, refere, assim, ao ser humano uma responsabilidade perante o ambiente.
“As coisas são como são”, a natureza humana nos propõe que nasceremos no período de dependência absoluta aprendendo e absorvendo do ambiente. Na adolescência, fase de rompimento dos pais heróis para a contestação e afirmação no mundo, na vida adulta que nos força a responder pelo ambiente. A velhice, a fase da colheita e da ceia.
Todas as fases da vida tem o mel e o fel, a busca da maturidade, a busca pela natureza humana.
No filme Benjamin tinha um corpo de velho, mas quem habitava era um menino. Vendo o filme podemos entender o simbolismo do ditado popular “Quando velho, retornamos a infância, o velho fica criança”.
O filme também nos mostra o mais justo resgate da criança que habita em nós e que grita de vez em quando querendo brincar com a vida.
Como é válido carregar conosco a curiosidade da criança, a ousadia de um adolescente, a perspicácia de um adulto e o saudosismo do velho.

A natureza é o sentido da realidade, o sentido da vida.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Livro: A Cura de Schopenhauer


A próxima análise é sobre o livro "A Cura de Schopenhauer". Nele, Julius Hertzfeld descobre que está com cancer e que tem apenas um ano de vida. Começa a procura por antigos pacientes e encontra com Philip Slate e o convida para participar do grupo de terapia enquanto Philip o ensian um pouco sobre quem foi Artur Schopenhauer. No livro os capítulos osbre a história principal e uma pequena biografia de Schopenhauer são intercalados. Irvin D. Yalom é o autor deste livro, assim como de "Quando Nietzsche Chorou", "Mentiras no Divã", "O Carrasco do Amor" entre outros.


Quem realiza está análise é o estudante Leandro, co-criador deste blog.



O livro “A Cura de Schoppenhauer” pode nos falar diferentes coisas, inclusive ao ler este livro vi várias facetas que podem ser analisadas, mas irei focar na Resiliencia presente em Julius Hertzfeld.
Julius descobre no começo do livro que está prestes a morrer de câncer, o médico tem a previsão de um ano de vida. Inicialmente ele cai num estado depressivo, apenas vendo a família e alguns amigos. Tira férias, mas ao invés de se animar ele fica cada mais triste, “para baixo”. Então ele resolve voltar ao trabalho e verificar os antigos pacientes que teve, quais foram seus passos após a terapia. E Julius se depara com Philip, um caso que para ele parece ter se perdido no tempo e na vida. Acredita que não fez um bom trabalho e vai atrás de Philip para ver o que aconteceu. Ao se deparar os dois fazem uma troca, um dá supervisão par ao outro em um grupo de terapia e outro ensina sobre Schopenhauer. Nesta hora podemos ver que toda a energia que ele estava depositando no fato “vou morrer” se voltou para o trabalho, para o grupo de terapia, para Philip e todos os outros componentes.
A Resiliencia para a psicologia é o processo de enfrentar adversidades.
É nesse processo que o livro se centra. Embora haja muitos outros aspectos nele e outros temas, compreendi que este é o aspecto principal dele.
E não é apenas na resiliencia de Julius, mas sim na de todos os outros componentes do grupo, em como Tony reage ao se ver numa relação amorosa que não poderia acontecer e está abalada pela presença de Philip; em como Philip reage e reagiu em diversas situações de sua vida; de Pam em sua perda do marido e do amante, Stuart por sua mulher ameaçar de deixa-lo sozinho; como Bonnie lida com a solidão e rejeição.
Durante a história do livro não é mostrado a convivência de Julius com os amigos e com os filhos desde que Philip entra na história. Nos é mostrado que Julius centra todas as suas energias no grupo de terapia e no caso de Philip, que o ensina um pouco sobre Schopenhauer e como a filosofia o ajudou a superar, ou de recalcar, alguns problemas (daí o título do livro).
Julius tenta deixar um legado através de seu trabalho com os pacientes, tanto do grupo como da terapia individual. Sente que somente assim terá feito algo para ajudar os outros, mas eu ainda diria que seria uma forma de imortalizar, de fecundar o que aprendeu e viveu nos pacientes, transformando-os em filhos. Fazendo uma comparação, Julius tenta fazer o mesmo que Winnicott, que não teve filhos mas deixou um legado de conhecimento e sabedoria através de seus artigos, pacientes e amigos. Mesmo que Julius tenha tido filhos, eles não são mostrados como figuras de grande importância no decorrer do livro. Julius, após perder a esposa, foca em seu trabalho e ao saber que irá morrer faz o mesmo. Transformar o trabalho, seja ele através dos artigos ou dos pacientes em filhos.
Luta para conseguir deixar sua marca no mundo e fazer com que as pessoas que entraram em contato com ele no futuro digam “foi o doutor Julius que me ajudou”. Para alguns isso pode parecer um pouco egoísta, afinal ele tenta ser um “Salvador da Pátria”, mas digo o contrário, digo que ele apresenta através de suas experiências pessoais e profissionais que mesmo que outros nos orientem em determinados caminhos somente a própria pessoa pode caminhar por esse caminho.
Julius ao utilizar essa dor, agonia ao saber da morte ele luta para fazer algo bom, que o faça bem e que faça outros se sentirem bem.
Termino dizendo que esse mecanismo, esse processo, é citado em diversas literaturas, sejam elas sobre a psicologia ou sobre outros fatos reais ou não, e termino com uma dessas citações que nos transporta a esse realidade, de enfrentarmos determinada situação para podermos crescer e nos fortificar.
“Combati o bom combate ... agora só me resta a coroa”
2ª Carta a Timóteo, capítulo 4, versículos 7 e 8

quarta-feira, 11 de março de 2009

Filme: Fale com Ela


Nesta quarta, trazemos mais um filme analisado, é o filme "Fale com Ela" escrito e dirigido por Pedro Almodóvar, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original e indicado ao premio de melhor diretor em 2003. Este filme fala da relação que um enfermeiro tem com uma paciente em coma, ele fala com ela. Este comportamento acaba contagiando outras pessoas dentro do hospital e acaba revelando um sentimento que afeta a relação entre quem está em coma e quem não está.

A análise abaixo é feita pela psicóloga Natália.


O filme Fale com Ela nos remete a realidade que é vivenciada no hospital, a importância de ultrapassar os limites de cuidados de enfermagem para o paciente que está em coma; entretanto proporcionar que nessa fase, ele se sinta acolhido em sua angustia, criando condições para enfretamento dessa incógnita que é o coma.
Benigno o enfermeiro, mesmo sabendo que o córtex cerebral, fora destruído e que a paciente não teria emoções e sentimentos, a cuidava de uma maneira especial. Acredito que a sua identidade se interpelou com a dele, ele passou a viver a vida dela, comparecendo a filmes e a peça de teatro que ela apreciava.
O pai confiava em seus cuidados, sendo que poucas vezes aparece a sua figura no filme, o cuidado era inteiramente entregue a Benigno que desempenhava o seu papel, com amor e dedicação.
O coma é um estado de sofrimento para a família que aguarda o renascimento do seu ente querido, para recomeçar uma nova história, ou aguardar a morte chegar. No caso do filme havia uma esperança, já que a personagem estava em coma por quatro anos.
Benigno auxiliou também a outros pacientes. O namorado de Lydia, que esta em coma, se espelha no enfermeiro, aceita o conselho e fala com ela, revelando que existia vida em cada gesto.
O psicólogo no hospital deve participar dessa realidade, acolhendo o paciente em coma, atendendo a sua família, desmistificando o ‘’devemos ficar longe’’, levando a família a refletir sobre o coma e as suas facetas.
Facetas essas que reforçam a importância do psicólogo hospitalar, oferecendo o seu ego para o paciente em estado de coma, para a sua família. Amplio essa idéia reforçando a humanização dos hospitais; o filme demonstra a relevância de falar com esses pacientes, de falar com eles.
Benigno, acreditava que a paciente estava viva, sendo que concebeu um filho com ela. Para ele não existia coma. Quando soube da suposta morte se suicida, não suportando perder a sua identidade que estava conectada com ela.
“O psicólogo na instituição hospitalar deve principalmente, permitir que o paciente evidencie seu sentimento”. Rodrigues, 2008.