quarta-feira, 25 de março de 2009

Filme: O curioso Caso de Benjamin Button


O filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett é analisado esta semana. Este filme fala sobre a história de Benjamin Button, que é abandonado por seu pai as portas de um asilo ao ver que o bebe tinha aparencia de um idoso de 80 anos ou mais. Este bebe-idoso é criado neste asilo e durante seu desenvolvimento ele vai rejuvenescendo. O filme foi indicado a 13 Oscar's e ganhou 3, de melhor Efeitos Especiais, Melhor Direção e Melhor Maquiagem.


A análise abaixo é realizada pela psicóloga Natália


O filme abaixo me remeteu a natureza humana. Winnicott disse:
“O desenvolvimento prossegue com o passar do tempo, e gradualmente a criança se transforma no homem ou na mulher nem cedo, nem tarde demais. A meia-idade chega na época certa, com outras mudanças igualmente adequadas, e finalmente a velhice vem desacelerar os vários funcionamentos até que a morte natural surge como a derradeira marca de saúde”.
No filme, Benjamin vive ao contrário, nasce velho e morre bebê, transcendendo a lei da vida e nos levando ao paralelo e a reflexão sobre o ditado “as coisas são como são”.
Se a saúde psíquica é avaliada em termos de crescimento emocional (um de seus fatores) tendo em vista a sua idade no momento, refere, assim, ao ser humano uma responsabilidade perante o ambiente.
“As coisas são como são”, a natureza humana nos propõe que nasceremos no período de dependência absoluta aprendendo e absorvendo do ambiente. Na adolescência, fase de rompimento dos pais heróis para a contestação e afirmação no mundo, na vida adulta que nos força a responder pelo ambiente. A velhice, a fase da colheita e da ceia.
Todas as fases da vida tem o mel e o fel, a busca da maturidade, a busca pela natureza humana.
No filme Benjamin tinha um corpo de velho, mas quem habitava era um menino. Vendo o filme podemos entender o simbolismo do ditado popular “Quando velho, retornamos a infância, o velho fica criança”.
O filme também nos mostra o mais justo resgate da criança que habita em nós e que grita de vez em quando querendo brincar com a vida.
Como é válido carregar conosco a curiosidade da criança, a ousadia de um adolescente, a perspicácia de um adulto e o saudosismo do velho.

A natureza é o sentido da realidade, o sentido da vida.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Livro: A Cura de Schopenhauer


A próxima análise é sobre o livro "A Cura de Schopenhauer". Nele, Julius Hertzfeld descobre que está com cancer e que tem apenas um ano de vida. Começa a procura por antigos pacientes e encontra com Philip Slate e o convida para participar do grupo de terapia enquanto Philip o ensian um pouco sobre quem foi Artur Schopenhauer. No livro os capítulos osbre a história principal e uma pequena biografia de Schopenhauer são intercalados. Irvin D. Yalom é o autor deste livro, assim como de "Quando Nietzsche Chorou", "Mentiras no Divã", "O Carrasco do Amor" entre outros.


Quem realiza está análise é o estudante Leandro, co-criador deste blog.



O livro “A Cura de Schoppenhauer” pode nos falar diferentes coisas, inclusive ao ler este livro vi várias facetas que podem ser analisadas, mas irei focar na Resiliencia presente em Julius Hertzfeld.
Julius descobre no começo do livro que está prestes a morrer de câncer, o médico tem a previsão de um ano de vida. Inicialmente ele cai num estado depressivo, apenas vendo a família e alguns amigos. Tira férias, mas ao invés de se animar ele fica cada mais triste, “para baixo”. Então ele resolve voltar ao trabalho e verificar os antigos pacientes que teve, quais foram seus passos após a terapia. E Julius se depara com Philip, um caso que para ele parece ter se perdido no tempo e na vida. Acredita que não fez um bom trabalho e vai atrás de Philip para ver o que aconteceu. Ao se deparar os dois fazem uma troca, um dá supervisão par ao outro em um grupo de terapia e outro ensina sobre Schopenhauer. Nesta hora podemos ver que toda a energia que ele estava depositando no fato “vou morrer” se voltou para o trabalho, para o grupo de terapia, para Philip e todos os outros componentes.
A Resiliencia para a psicologia é o processo de enfrentar adversidades.
É nesse processo que o livro se centra. Embora haja muitos outros aspectos nele e outros temas, compreendi que este é o aspecto principal dele.
E não é apenas na resiliencia de Julius, mas sim na de todos os outros componentes do grupo, em como Tony reage ao se ver numa relação amorosa que não poderia acontecer e está abalada pela presença de Philip; em como Philip reage e reagiu em diversas situações de sua vida; de Pam em sua perda do marido e do amante, Stuart por sua mulher ameaçar de deixa-lo sozinho; como Bonnie lida com a solidão e rejeição.
Durante a história do livro não é mostrado a convivência de Julius com os amigos e com os filhos desde que Philip entra na história. Nos é mostrado que Julius centra todas as suas energias no grupo de terapia e no caso de Philip, que o ensina um pouco sobre Schopenhauer e como a filosofia o ajudou a superar, ou de recalcar, alguns problemas (daí o título do livro).
Julius tenta deixar um legado através de seu trabalho com os pacientes, tanto do grupo como da terapia individual. Sente que somente assim terá feito algo para ajudar os outros, mas eu ainda diria que seria uma forma de imortalizar, de fecundar o que aprendeu e viveu nos pacientes, transformando-os em filhos. Fazendo uma comparação, Julius tenta fazer o mesmo que Winnicott, que não teve filhos mas deixou um legado de conhecimento e sabedoria através de seus artigos, pacientes e amigos. Mesmo que Julius tenha tido filhos, eles não são mostrados como figuras de grande importância no decorrer do livro. Julius, após perder a esposa, foca em seu trabalho e ao saber que irá morrer faz o mesmo. Transformar o trabalho, seja ele através dos artigos ou dos pacientes em filhos.
Luta para conseguir deixar sua marca no mundo e fazer com que as pessoas que entraram em contato com ele no futuro digam “foi o doutor Julius que me ajudou”. Para alguns isso pode parecer um pouco egoísta, afinal ele tenta ser um “Salvador da Pátria”, mas digo o contrário, digo que ele apresenta através de suas experiências pessoais e profissionais que mesmo que outros nos orientem em determinados caminhos somente a própria pessoa pode caminhar por esse caminho.
Julius ao utilizar essa dor, agonia ao saber da morte ele luta para fazer algo bom, que o faça bem e que faça outros se sentirem bem.
Termino dizendo que esse mecanismo, esse processo, é citado em diversas literaturas, sejam elas sobre a psicologia ou sobre outros fatos reais ou não, e termino com uma dessas citações que nos transporta a esse realidade, de enfrentarmos determinada situação para podermos crescer e nos fortificar.
“Combati o bom combate ... agora só me resta a coroa”
2ª Carta a Timóteo, capítulo 4, versículos 7 e 8

quarta-feira, 11 de março de 2009

Filme: Fale com Ela


Nesta quarta, trazemos mais um filme analisado, é o filme "Fale com Ela" escrito e dirigido por Pedro Almodóvar, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original e indicado ao premio de melhor diretor em 2003. Este filme fala da relação que um enfermeiro tem com uma paciente em coma, ele fala com ela. Este comportamento acaba contagiando outras pessoas dentro do hospital e acaba revelando um sentimento que afeta a relação entre quem está em coma e quem não está.

A análise abaixo é feita pela psicóloga Natália.


O filme Fale com Ela nos remete a realidade que é vivenciada no hospital, a importância de ultrapassar os limites de cuidados de enfermagem para o paciente que está em coma; entretanto proporcionar que nessa fase, ele se sinta acolhido em sua angustia, criando condições para enfretamento dessa incógnita que é o coma.
Benigno o enfermeiro, mesmo sabendo que o córtex cerebral, fora destruído e que a paciente não teria emoções e sentimentos, a cuidava de uma maneira especial. Acredito que a sua identidade se interpelou com a dele, ele passou a viver a vida dela, comparecendo a filmes e a peça de teatro que ela apreciava.
O pai confiava em seus cuidados, sendo que poucas vezes aparece a sua figura no filme, o cuidado era inteiramente entregue a Benigno que desempenhava o seu papel, com amor e dedicação.
O coma é um estado de sofrimento para a família que aguarda o renascimento do seu ente querido, para recomeçar uma nova história, ou aguardar a morte chegar. No caso do filme havia uma esperança, já que a personagem estava em coma por quatro anos.
Benigno auxiliou também a outros pacientes. O namorado de Lydia, que esta em coma, se espelha no enfermeiro, aceita o conselho e fala com ela, revelando que existia vida em cada gesto.
O psicólogo no hospital deve participar dessa realidade, acolhendo o paciente em coma, atendendo a sua família, desmistificando o ‘’devemos ficar longe’’, levando a família a refletir sobre o coma e as suas facetas.
Facetas essas que reforçam a importância do psicólogo hospitalar, oferecendo o seu ego para o paciente em estado de coma, para a sua família. Amplio essa idéia reforçando a humanização dos hospitais; o filme demonstra a relevância de falar com esses pacientes, de falar com eles.
Benigno, acreditava que a paciente estava viva, sendo que concebeu um filho com ela. Para ele não existia coma. Quando soube da suposta morte se suicida, não suportando perder a sua identidade que estava conectada com ela.
“O psicólogo na instituição hospitalar deve principalmente, permitir que o paciente evidencie seu sentimento”. Rodrigues, 2008.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Filme: Fim dos Tempos


Abaixo temos a análise do filme "Fim dos Tempos" de M. Night Shyamalan. este filme se passa em 2008 no nordeste dos E.U.A. onde mortes misteriosas começam a ocorrer e Elliot, Alma e Jess correm para salvar suas vidas do suicídio certo.

Segue a análise do filme feita pelo Leandro

O filme nos coloca na posição de observadores sobre os acontecimentos que envolvem a morte, fazendo refletir um pouco mais sobre o que a morte traz para cada um de nós.
O personagem Elliot, Alma e Jess lutam para preservar a vida, preservar a vida da morte iminente, trazendo para eles revelações nunca feitas antes, lutando para trazer algo bom no ambiente onde só viam a morte.
A situação entre Elliot e Alma no começo do filme é de um casamento que está acabando, se destruindo com o tempo. Com as mortes misteriosas, eles fogem do lugar que se encontram para preservar a vida e a relação existente entre eles, mostrando desta forma como a pulsão de vida e a pulsão de morte estão sempre interligadas.
A psicanálise nos revela que a pulsão de vida e a pulsão de morte estão sempre ligadas, trabalhando juntas, preservação e a destruição. Para nos sustentar fisicamente precisamos comer, mas para isso devemos destruir o alimento em nossa boca, criando o circulo de preservação e destruição.
É isso que acontece com Elliot e Alma. Elliot não aceita que o casamento pode acabar, por isso luta para preservá-lo mesmo diante de situações que o contradizem. Um homem carente que precisa de alguém ao lado dele, e que para isso se torna um líder para manter quem ele quer ao seu lado. Alma não aceita a condição de estar casada, deseja se isolar para manter a sua individualidade e tentar equilibrar sua ambivalência entre o desejo pessoal e a moral social.
Na corrida entre preservar a vida no meio do ambiente catastrófico que se encontram, o casal começa a revelar sentimentos, sensações e desejos que nunca comentaram entre si. Eles se reaproximam mais com o decorrer do tempo, no qual a morte se revela mais próxima. E uma morte vinda como suicídio, suicídio liberado por toxinas orgânicas vindas das plantas. No filme essas toxinas são espalhadas no ar através do vento.
Neste filme vemos que cada um morre por suicídio, e os personagens, ao meu entender, não querem isso, querem a vida, a vida como ela é, ou como eles a desejam ver, pois ao aceitarem qualquer presença de contaminação pela toxina, ou seja a destruição do relacionamento deles, eles se matariam. Mas diversas vezes é mostrado que eles estão no centro da “epidemia de suicídio”, como prefiro chamar, mas não são afetados. Na cena onde eles estão correndo pelo campo até chegar na casa de uma senhora, o vento sopra ao lado deles mas a toxinas não os atinge ou não reage neles.
Ao meu ver isso ocorre porque, de certa forma, eles estão imunes. Mesmo sabendo que a família, amigos e colegas que viviam ao lado deles estão mortos, eles não desanimam acreditam que podem se salvar, crendo que o companheirismo entre eles pode salvar cada um. Nas últimas cenas, as personagens Alma e Jess estão em um cômodo fechado e tem comunicação com a personagem Elliot, que está em outro cômodo fechado, através de um cano. Nessa cena ele diz que quer ficar ao lado delas, que se tem que morrer será ao lado daqueles que ama. Ao sair não acontece nada, ele não se mata, elas não se matam, nenhum dos três morre, pois utilizaram a destruição que aconteceu ao redor deles para manterem a relação entre eles viva, e criar uma nova relação com Jess, já que ela perdeu os pais que são amigos de Elliot, e a criação de uma nova vida, o filho que Alma e Elliot é gerado no final do filme.
As funções da pulsão de vida e pulsão de morte estiveram presentes no filme desde o inicio, assim como ocorre em nossas vidas. Devemos viver mesmo sabendo que para isso algo deve ser destruído, não necessariamente matando outro ser humano, mas a destruição de idéias, valores que nos destroem internamente impedindo-nos de manter uma vida particular e social saudável.

Termino citando Dalai Lamma: “No Tibete, costumamos dizer que muitas doenças podem ser curadas com a medicina do amor e da compaixão”.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Filme: Labirinto do Fauno


A análise abaixo é sobre o filme "O Labirinto do Fauno" escrito e dirigido por Guillermo del Toro e ganhador do Oscar de Direção de Arte, Fotografia, Maquiagem. A história é passada em 1944 no final da Guerra Civil Espanhola, onde Ofélia se muda para a casa de seu novo padrasto, um general facista. Na casa ela descobre um labirinto, que se torna a chave para um mundo de fantasias onde é guiada por um Fauno.


Abaixo está a análise feita pela psicóloga Natália, criadora deste blog junto com o estudante de psicologia Leandro.


O filme nos remete a uma ánalise das relações parentais e as defesas egoicas infantis, a personagem ‘’criou um mundo ‘alternativo’ para suportar as realidades cruéis, ao qual era defrontada á todo momento”.
O padrasto com traços de psicopatas, encobertos em uma postura de ditador, a mãe que não oferecia holding, a continência das angústias de desamparo ao qual Ofélia sentia, simplesmente a explicava que era necessário que aceitasse o capitão como o seu pai.
Não acreditamos que Ofélia seja psicótica, pois suas alucinações foram à única forma de defesa, um refugio em seu mundo de conto de fadas.
Relevante a concretude, no ápice de sua fantasia visualizou seus pais em um reino perfeito e ela reinando como uma princesa absoluta.
O monstro que tinha os olhos nas mãos, é que iria despertar, a qualquer toque a uma mesa lotada de guloseimas, demonstrava a castração de prazer, para personagem não era permitido sentir-se amada e por esse motivo criou um mundo simbólico e alternativo.
Em síntese, o filme nos revela a delicada relação parental, a importância da distinção das defesas e alucinação, Ofélia criou um novo mundo ao qual em sua onipotência ela seria a princesa, em analogia ela pintou o quadro da sua vida ao seu gosto, para se defender de uma realidade cruel ao qual não tinha recursos internos para suportar e se rendeu as fantasias inconscientes projetadas maciçamente em forma de mecanismos de defesa.
Winnicott com muita propriedade foi um dos primeiros ou únicos que postularam a criatividade humana como algo não inconsciente mas algo dirigido para o outro para a sociedade. O bebê é capaz no seu narcisismo em sua experiência primaria “cria o seu mundo”, experiência de onipotência, após a necessidade da desilusão.
O principio da realidade é ruim, mas, com passar do tempo a criança é chamada a dizer “tá’’, grandes desenvolvimentos ocorrem e ela adquire mecanismos mentais geneticamente determinados para lidar com essa afronta. Pois o principio de realidade é uma afronta. Winnicott,1970.
Procuramos em nossa experiência primitiva absorver a essa afronta a desenvolver, portanto uma submissão sadia a realidade concebida em nosso olhar criativo saudável.
Ofélia não sucumbiu a esse principio de realidade é fez um mundo alternativo em sua ilusão um novo “olhar sobre essa realidade”, que afrontava a ser rainha de um mundo alternativo que a levou ao Labirinto do Fauno ao seu reino me remetendo a essa onipotência primária ao qual descrevo acima.
Esse falso self criado pela personagem foge de ser saudável já que o verdadeiro self está repleto de espontaneidade, a personagem tornou escrava de sua “criação”, supomos que essa integração; o ambiente falhou em proporcionar essa desilusão não foi possível na personagem ela ficou presa em seu mundo alternativo distorcendo a realidade.
Digamos que a personagem não fez essa ponte entre o subjetivo e o objetivo demonstrando nas cenas do filme em que esse mundo subjetivo é palpável.
Finalizo essa explanação com trecho de Winnicott 1988
“Em posição de se comunicar secretamente com os fenômenos e objetos subjetivos, a perda de contato com o mundo da realidade compartilhada sendo contrabalançada por um ganho a sentir real“ Winnicott.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Apresentação

Este blog tem como finalidade analisar as artes (cinema, livros, poesias, pinturas e esculturas) pela ótica da psicanálise.

Acreditamos que a arte é a manifestação de nosso inconscienteque é projetada em filmes, livros, músicas, nas mais diversas obras de arte na busca pelo conhecimento próprio.

Convidamos a todos a participar, dando sua opinião e sugestões, colocando sua perspectiva sobre a obra analisada (seja pela psicanálise ou por qualquer outra linha psicológica).

Nosso e-mail para contato é artenodiva@gmail.com


Agradecemos desde já,

Leandro Carlos de Oliveira e Natália Cristiane Macário



"Para ser criativa, uma pessoa tem que existir e ter um sentimento de existencia não na forma de um percepção consciente mas como uma posição básica a partir da qual opera"
Winnicott