sábado, 22 de agosto de 2009

Personagens: Sméagol/Gollum e Frodo


Retornamos mais uma vez aos livros e filmes "O Senhor dos Anéis". "O Senhor dos Anéis" de J.R.R. Tolkien foi adaptada para o cinema por Peter Jackson. Tolkien escreveu os três livros entre 1937 e 1949 e editou os primeiros exemplares de cada entre 1954 e 1955. O filme chegou as telas de cinema do mundo todo em 2001, 2002 e 2003.


Análise feita por Leandro.



Estava em minha casa vendo uma matéria sobre um rapaz que assassinou outro por estar sobre efeito de uma droga ilícita. O jornalista da matéria começou a reportagem com uma entrevista com a família do acusado, a família dizia que ele era tranqüilo e que os dois eram amigos. Nesse momento me lembrei de um famoso personagem dos livros de Tolkien e do filme “O Senhor dos Anéis”, Gollum.
Durante a história de “O Senhor dos Anéis” Gollum nos é apresentado como a criatura que veio atrás do seu “precioso”, que é como ele chamava o Anel do poder. Esse anel tinha o poder de despertar o mal no individuo que o usasse e o faria escravo para “nas sombras de Mordor aprisionar”. Mordor é a terra onde foi criado o Um Anel ou Anel do poder.
No primeiro livro e no terceiro filme, nos é apresentado um pouco da história de Gollum, cujo nome verdadeiro é Sméagol. O livro nos conta que ele achou o Um Anel junto com seu primo e amigo Déagol, ao olhar o anel achado e sentir sua beleza e poder, Sméagol o deseja e mata o primo apenas para ter o Anel em mãos. Devido ao crime ele é expulso do lugar onde mora e passa a viver nas Montanhas Sombrias e lá ele começa a se alimentar apenas de peixes crus e de orc’s. Ao perder o Anel, ele sai em busca do mesmo para te-lo de volta, nem que precise matar novamente para isso.
Podemos com isso fazer uma comparação aos dependentes de substancias psicoativas. Assim como essas substancias, o um Anel exercia um poder sobre seu usuário, tornando-o dependente disso, o Um Anel oferece um poder para seu usuário, o deixa mais viver mais tempo mas o preço é o modo de viver. Sméagol começou a mudar a forma de alimentação, se isolou da sociedade e suas atitudes com outras pessoas, quando as encontrava era de violência. Ficar tanto tempo utilizando o Anel, Sméagol esqueceu sua história e adotou o nome de Gollum (a sonorização que a garganta dele fazia, emitia este som “gollum”, como se estivesse tossindo) e criou uma segunda personalidade (ou será que era apenas a antiga?)
Mas este um anel teve apenas estes efeitos no Gollum? Ele também teve efeitos em outros seres, Isildur, que tirou o Anel de seu dono original, também foi afetado pelo Anel e morreu defendendo seu “tesouro”. Bilbo Bolseiro também foi afetado, não envelheceu quando o estava usando e quando reencontrou o Anel com seu sobrinho ele teve uma recaída e por um instante se pareceu como um monstro. Boromir, ao desejar o Anel, quase mata Frodo e acaba morrendo ao retornar seu pensamento em sua missão inicial.
Frodo mesmo foi um usuário do anel, mas ele contou com ajuda. Inicialmente 8 pessoas (ou seres vivos) o auxiliaram a acabar com o Anel, mas durante o caminho outras pessoas se juntaram e o ajudaram, deram coragem, mesmo sem estarem perto dele. O único que realmente ficou junto dele foi Sam, seu primo e amigo. Ao contrário de Sméagol, Frodo não matou Sam. Sam até utilizou o Anel uma vez para libertá-lo dos inimigos mas já o entregou, pois sabia que se utilizasse muito o Anel seria dependente dele. Mas o único que poderia destruir o objeto da dependência de tantos, o único que poderia acabar com um mal que assolava a tantas pessoas, esse alguém era o último usuário do Anel, Frodo.
Com isso faremos um link sobre o processo de tratamento de dependentes, seja de jogos, seja de substâncias psicoativas, ou de várias outras coisas, mas darei foco em substancias como álcool e drogas ilícitas. Notem como foi importante para o processo de destruição do Anel a ajuda de outras pessoas. Frodo precisou do apoio de Sam, Aragorn, Legolas e tantos outros que cruzaram seu caminho (inclusive obteve ajuda de Gollum, mesmo sem este querer). Frodo percebeu que não poderia participar de algo tão grande sem ajuda.
Esse reconhecimento é um dos primeiros passos para o tratamento de dependentes, é necessário que eles tenham conhecimento que aquilo faz mal para ele e para os que estão próximos, se ele perceber isso é pedir ajuda conseguirá participar de todo o tratamento e ter uma “reabilitação” mais rápido.
Em Gollum podemos ver como um individuo pode ficar ao não perceber como aquilo o está matando, de determinada forma, e acabando com sua vida social. Vemos hoje que vários dependentes, principalmente os de substâncias psicoativas, podem se tornar violentos, venderem todos os bens que possui apenas para saciar esta dependência.
Ao conversar com um amigo, que irei chamar de Samuel, sobre como ele era e estava quando era usuário de maconha e cocaína, ele me disse que por dentro estava “um caco”, não conseguia pensar direito, só queria saber de fumar mais um “cigarrinho”, ele percebeu como aquilo estava o afetando quando olhou para o espelho “cara, eu me via magro, como um esqueleto, parecia mais um fantasma de filme que com um ser humano, aí resolvi me internar”.
Esse modo como ele se viu e mais ou menos como o Gollum é, magro, sem vida, sem perspectiva. Gollum vivia para o Anel, o dependente vive apenas para a dependência dele.
Samuel me disse que o fator que mais ajudou para sair da dependência foi a ajuda dos amigos e familiares, ele ainda me disse que quem se isolava muito ou que não recebia muitas visitas, tinha um processo mais longo e difícil.
Desta forma, podemos perceber que a ajuda de outras pessoas no tratamento de dependência é fundamental, mas o único que pode acabar realmente com esta dependência é o próprio individuo.
Para concluir transcrevo um dos últimos parágrafos de “O Senhor dos Anéis”, tendo esperança que muitos daqueles que se encontram com o “Anel” possam destruí-lo e voltar para casa.
“Por fim, os três companheiros se voltaram, e sem olhar para trás mais nem uma vez sequer foram lentamente em direção de casa ... – É, aqui estou de volta”

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Livro: Bruxa, Bruxa


Este livro, ou conto, foi indicado por uma pedagoga da cidade de Santo André - SP, a Samantha. Obrigado pelo apoio e pelas sugestões.


A análise é realizada por Natália


Esse livro nos remete a infância do novo século que, podemos dizer, é mais “encurtada”. Hoje percebemos que aos 9 anos eles se auto-denominam pré-adolescentes e não mais crianças.
O ser criança se perdeu diante da pressa de ser adolescente, e o ser adulto se perdeu no fato de permanecer adolescente (se tornando um “adultescente”).
O fato é que ser criança é navegar na fantasia, é uma fase de absorção das coisas boas e más da vida. Já dizia Freud “A criança é um polimorfo perverso”, dando alusão a importância da infância e as etapas do desenvolvimento psicossexual, alertando a importância da infância carregada de subjetividade.
Não pretendo analisar o livro, apenas no seu modo geral, mas sim viajar na infância contemporânea.
O livro é bem ilustrado em suas cores, na historia o narrador (presumindo que sejam os bichos da floresta) decidem organizar uma festa, na qual sem a bruxa ninguém iria a festa. Partindo deste ponto, a figura bruxa entra em qual momento histórico?
Segundo Bettlheimexiste um tempo certo para determinadas experiências de crescimento e para a infância é o momento de aprender a transpor o imenso interior e o mundo real.
Bom e o mau, mãe que ora boa e ora é ruim, ora provem o alimento e ora provem a frustração, essa é uma figura da bruxa que fica no imaginário infantil contendo esses dois lados, bem e mal.
O bom e o mau estão presentes na história e conforme o desenvolvimento humano, aos poucos a criança consegue integrar aspectos bons e maus em uma pessoa (principalmente nos pais).
A Infância de uma forma ou de outra, está sendo mutilada e rasgada, adiantando a adolescência sem a verdadeira experiência infantil, e a autoridade é necessária e deve se fazer presente. A autoridade não é sinônimo de tirania, mas continência materna e/ou paterna dos objetos internos (medos e angustias), também sinônimo de cuidado, de carinho.
Convidar a “bruxa” para a festa é um símbolo da proteção também, demonstrando a necessidade de limite da criança, para que elas não se tornem adultos com baixa tolerância a frustração e com atitudes compensatórias.
Devemos convidar a “bruxa” para nossa festa, admitir que em nós contém o lado bruxa e fada e que podem, e devem, ser administrado para o equilíbrio.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Filme: Wall-E


Wall-e é a última animação entre a Disney e a Pixar e foi lançado em 2008. O desenho fala sobre um futuro onde, após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao auto-conserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada. Eva deixa a Terra após cumprir sua diretriz e parte para a nave onde os humanos vivem, Wall-E vai atrás dela numa adorável aventura.


A análise é feita por Leandro


No mundo de hoje é raro encontrar uma empresa que não tenha em todos os seus processos a ajuda de um computador, é raro encontrar uma escola que não tenha um site na internet, mas raro ainda é encontrar um adolescente que não saiba mexer num computador. Estamos na era digital!
Hoje o contato humano acontece muitas vezes através de sites como orkut, twitter, fotolog, blog’s, msn e outras ferramentas que se não forem utilizadas de maneira correta podem trazer prejuízo para o individuo. Digo isso devido a pesquisas realizadas pela imprensa, por outros institutos e pela minha experiência. A Rede Social Orkut, segundo o site Wikipédia, surgiu em 2004 e foi criada para ajudar as pessoas a fazerem novas amizades. Isso abrange uma rede muito larga de usuários, no orkut podemos mandar mensagens para usuários do mundo inteiro. Com esse tipo de comunicação, várias pessoas passam horas neste site (ou em outros parecidos) se comunicando com amigos do mundo inteiro. O mesmo acontece com o programa MSN. Nele duas ou mais pessoas podem se comunicar em tempo real, trocar vídeos, programas, fotos.
Existem outras formas de se comunicar e fazer amigos, como os jogos on-line chamados MMORPG (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game ou Multi massive online Role-Playing Game) onde o jogador comanda um personagem e deve cumprir várias tarefas e missões para evolui-lo e torna-lo forte, ágil, habilidoso, conhecido, rico. Há vários jogos de MMORPG, os mais conhecidos são o Second Life, Cabal On-line, World of War Craft, Ragnarok On-Line. Neles a pessoa pode passar horas e horas a fio sem ao menos tem contato fisico com qualquer outra pessoa, inclusive de sua própria familia.
Devido a este fato das pessoas passarem mais tempo “falando” com outras pessoas por jogos ou msn que artigos cientificos na área de sociologia, psicologia, comunicação e informática foram criados tentando entender mais sobre o fascinio dos usuários desses programas e seus pós/contras de seu uso excessivo.
No filme Wall-E vemos exatamente o que o uso excessivo pode fazer com uma pessoa. O desenho é sobre um robô (Wall-E) que tem como função limpar o planeta da sujeira deixada pelos humanos. O planeta Terra fica inabitável e a mesma empresa que poluiu o planeta (a BNL) cria excursões pelo espaço enquanto o planeta é limpo. A excursão dura 700 anos. Dentro do fabuloso cruzeiro inter-estelar, as pessoas vivem sentadas em cadeiras eletromagnéticas, onde estao acoplados uma tela em frente ao rosto da pessoa, botões no braço da cadeira e braços para segurar copos plásticos. Nesses copos plásticos, iguais ao de uma lanchonete fast-food, é colocado todo o suprimento necessário para sustentar o ser humano, pela tela em frente ao rosto os humanos se comunicam com outros e dão ordens para os outros robôs.
Uma cena muito interessante do filme é de um homem que está sentado na cadeira e comanda um robo jogando golf, como se ele próprio estivesse jogando golf. Essa cena nos remete ao MMORPG onde o usuário se imagina como o personagem que está comprando roupas, dirigindo uma aero nave, jogando futebol ou derrotando monstros em cenarios medievais.
Outro detalhe é que cada um deles são obesos, por não terem qualquer atividade fisica mostrando uma vida sedentária, por estarem na frente da televisão. O desenho mostra que as crianças ainda no breço já são colocadas na frente de telas por robôs, banindo assim qualquer contato humano entre os bebês e entre bebês e adultos.
Estudos realizados em Havard afirmam que um dos fatores da obesidade é o excesso de televisão (fonte: site BBC). Um vicio dados aos humanos desde crianças.
Outro detalhe são os robôs, robôs que foram criados para facilitar a vida humano. Robôs massagistas, robôs enfermeiros, robôs para levantarem uma pessoa caso ela saia da cadeira, cadeiras robôs que dão alimentos e que os levam a qualquer lugar.
E cada um deles são levados a fazer isso por terem sido condicionados a acreditar em tudo que passa nessa tela, nesse computador. Quando a personagem John cai da cadeira, robôs aparecem para coloca-lo na cadeira, mas cair ele fica desesperado por terem cortado seu elo com o “mundo virtual” que vivia. Ele não tinha mais tela na sua frente, nem uma cadeira para leva-lo onde deseja, foi um efeito parecido com a ausencia de drogas num viciado.
Contudo o filme mostra duas faces da tecnologia, a face do sedentarismo e face do humanismo.
O personagem mais humano no desenho todo é o robozinho Wall-E. O filme nos mostra um robo que trabalha limpando o mundo, processando todo o lixo e compactando-o. Porém, cada vez que ele vai compactar algo ele encontra um objeto interessante para ele, um carfo, um isqueiro, uma caixa de anel, um cubo-mágico, e os guarda em sua casa, um enorme veiculo onde lá possuí um Ipod ligado a um video-cassete e assiste musicais dos anos 70. Wall-E resgata em seu comportamento infantil o humano que não aparece em nenhum dos humanos do cruzeiro. Wall-E até possui um animal de estimação, uma barata, o único ser vivo que poderia viver em todo aquele lixão.
Quando Wall-E chega na cruzeiro e esbarra em 3 de seus habitantes, uma mulher, um homem e o capitão da nave, ele mostra que o contato fisico entre as pessoas através da máquina é possivel, trás a tona todos os desejos e vontades de um individuo normal. Esse contato mostra que a alienação é péssima, mostra que é necessário conviver com os computadores e não viver através deles.
Wall-E nos mostra que podemos e devemos utilizar cada uma dessas ferramentas computadorizadas existentes em nosso mundo, mas que nunca devemos nos esquecer desse contato humano, o toque entre pessoas. Nos mostra que podemos conversar por msn, mandar recados no orkut e twitter, pesquisar matérias na internet, visualizar este blog, jogar MMORPG para se divertir, mas que devemos dosá-los com o contato humano, brincar com uma criança com brinquedos de montar, combinar de encontrar os amigos do msn, orkut e twitter numa lanchonete bacana, pesquisar matérias em livros e revistas também, sair com a/o namorada/o para ver um filme.
Contato físico entre pessoas, uma prova disso é o quanto um abraço nos faz bem quando estamos triste.Utilizar os computadores na vida e não viver por e para eles, é essa uma grande lição que podemos tirar do filme Wall-E

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filme: Divã


O filme Divã é uma produção brasileira que conta no elenco com Lilia Cabral, José Mayer, Alexandra Richter, Cauã Reymond, Reynaldo Gianechinni. Conta a história de Mercedes (Lilia Cabral) que decide ir ao analista e descobre várias facetas sobre si.

Análise feita por Natália

O filme é interessante, demonstra o que ocorre no divã, o que ocorre nesse “mundo” carregado de mistérios. Não é simplesmente um móvel utilizado em consultório de psicanálise em si está inserido um simbolismo que é a incrível viagem ao inconsciente.
A personagem principal vai em busca do divã e nesse momento constrói a sua história, no primeiro contato com o analista frente a frente a personagem “foge”porque a análise e um desafio de decidir sobre a sua vida até da onde o que começa a dizer e no desenrolar da vida no divã as decisões sobre a própria vida e isso em primeiro momento assusta.
Na analise, segundo Winnicott, ele empresta o seu self para o paciente em prol dessa “navegação em busca de nós”, a personagem foi levada a enxergar um casamento falho a se aventurar como mulher a sofrer e a enfrentar a dor de um luto de sua melhor amiga.
Frase marcante durante as cenas das sessões, o psicanalista Lopes sempre perguntava sobre a sua mãe e sua relação demonstrando a importância das relações parentais que são base para o nosso relacionamento com o mundo, algo particular do Divã a infância como base crucial da análise.
E a cura? A cura está em se escutar a se ouvir os desejos a ouvir o que há de mais precioso dentro de nós sem o exímio julgamento.
Freud com o método de associação livre falar o que vier na mente e Lacan seu discípulo que sabiamente postulou que o inconsciente é estruturado na linguagem é na linguagem que o divã tem o seu sentido.
O divã não é “resolvedor de problemas tabajara” mas como foi ilustrado pelo filme ajuda o desabafo, a escuta a sempre alguém esperando para te escutar com o ouvido atento, é na simplicidade das palavras que o divã é construído.
Análise, psicoterapia, terapia, com divã sem o divã são uma longa viagem sem previsão de volta para o interior. Descubra os mistérios do divã. Experimente

domingo, 28 de junho de 2009

Personagens: Fênix




Esse ser mitólogico povoa a literatura mundial. Na análise são citadas três personagens: Jean Grey, criada por Stan Lee e Jack Kirby para as histórias dos X-Men; Caveliro de Fênix Ikki, criado por Masami Kurumada para o manga Cavaleiros do Zodíaco; por fim Fawkes, criada por J. K. Rowling para as histórias de Harry Potter.




A análise é feita por Leandro.





Imortalidade! É a primeira palavra que vem a mente quando falamos da ave mitológica Fênix. Ela existe na mitologia grega e egípcia e é retratada como uma ave com grande força, que poderia carregar até um elefante em suas garras, e que quando estava prestes a morrer acendia um pira para queimar e renascer de suas cinzas.
Com esta característica de nunca morrer e ser muito forte, nas histórias em quadrinhos e nas mais diversas literaturas, a fênix sempre aparece como algo ou alguém que nunca morrer.
Nas histórias de X-Men temos a personagem Jean Grey que utiliza o codinome de Fênix. A própria personagem morreu (enquanto utilizava o codinome de Garota Marvel) e depois renasceu como Fênix, onde passou por crises de identidade (no arco de histórias Fênix Negra), morreu e ressuscitou novamente.
Em outra série Fênix volta a aparecer, nas histórias de Cavaleiros do Zodíaco Ikki assume a armadura de Fênix. Ele é o personagem que aparece para enfrentar o inimigo mais forte, que nenhum dos outros cavaleiros de bronze consegue enfrentar. E depois de derrotar o inimigo ele volta para uma caverna num vulcão para recuperar a armadura e seus poderes. Embora ele aparece para ajudá-los, Ikki mudou a personalidade no começo da história. Ele era o irmão bonzinho que sempre defendia o irmão mais novo, Shun, e após ir para a Ilha da Rainha da Morte muda radicalmente e volta querendo destruir os demais cavaleiros. Depois de ser derrotado ele retorna para o vulcão e descansa, e retorna mais uma vez mudado, ajudando quando quer e achar necessário.
E temos ainda a Fênix Fawkes na série de livros Harry Potter. Fawkes é a ave de estimação de Dumbledore que o transporta para fora de Hogwarts durante uma perseguição, cura Harry e Gina através de suas lágrimas, entrega uma espada a Harry, mas uma parte muito interessante é quando Harry vê Fawkes pela primeira vez. Ela estava no seu ninho, emite um som e pega fogo, logo depois nasce do meio das cinzas uma pequena ave chorando.
Notem que em todas as descrições sobre a personagem Fênix, seja em qual for o contexto, falam de uma mudança de comportamento da personagem. Ela indica uma mudança e uma mudança sofrida, pois a cada vez que a personagem aparece ele morre e depois ressuscita. Morre queimada.
Vamos lembrar que durante a Idade Média pessoas eram queimadas em fogueira enquanto ainda estavam vivas, os relatos da época falam em extrema agonia durante a morte.
Isso indica que para que nós possamos mudar temos que passar por um período de sofrimento intenso. Não há mudança sem o sofrimento.
Wellington Nogueia, fundador do Doutores da Alegria, disse numa palestra “nós morremos muitas vezes, mas de corpo presente uma só”. Isso nos leva a comparação de que cada vez que precisamos fazer algo precisamos matar a vontade de fazer o que é contrário daquilo. Quando queremos fazer uma dieta temos que matar a vontade de comer um hambúrguer comendo uma salada. Para sermos mais humildes devemos matar em nós o orgulho. E isso não é fácil.
Sempre que erramos ganhamos uma oportunidade para acertar, ganhamos a chance de ressuscitar. Mas de forma dolorosa, pois devemos aceitar que erramos para podermos acertar.
Essa mudança dolorosa fará com que sejamos imortais perante os nossos conhecidos graças ao imenso esforço de suportar os sofrimentos para concluirmos essa mudança, essa ressurreição.
Existe uma frase do século XV que diz “o homem que não é perfeitamente mortificado em si, bem depressa é tentado e vencido em coisas pequenas e vis”. Essa frase nos mostra que para vencermos pequenos e grandes desafios precisamos nos modificar, o que causaria dor, mas nos levaria a vitória.
Quem aprende mais sobre si, sobre seu sofrimento, sobre como suportar cada barreira e ressuscitar diante da derrota e da dificuldade, aprenderá como sair vitorioso desta grande aventura chamada vida

terça-feira, 23 de junho de 2009

Filme: A mulher Invisível


O filme "A Mulher Invisível" é estrelado por Selton Mello e Luana Piovani. Nele Pedro, personagem de Selton Mello, é abandonado pela esposa. Ele cai em depressão e se tranca em casa, o amigo Carlos (Vladimir Brichta) tenta ajuda-lo mas não consegue, sua vizinha Vitória (Maria Manoella) acompanha sua degradação da cozinha de sua casa. Pedro fica em depressão até que Amanda (Luana Piovani) bate em sua porta, e cuida dele sendo uma mulher perfeita. Ela consegue reerguer Pedro, mas ele descobre que Amanda é invisível. Uma comédia nacional espetacular, mais uma obra prima brasileira.


A análise abaixo é feita pela Natália.



De perto ninguém é normal, já dizia Caetano Veloso. Este filme demonstra com extrema sutileza e descontração essa frase.
Como uma forma espontânea, a personagem Pedro mostra que ao enfrentar uma situação de separação amorosa nos deparamos com a castração do nosso desejo, algo tão terrível para qualquer ser humano.
A “dor” de perder um amor ou ser libidinal a qual investimos parte do nosso ego é grande, pois na verdade nos apaixonamos por nós mesmos investindo no outro o que há de melhor em nós. Podemos comparar essa força libidinal com um trem sem maquinista, que segue com toda sua força correndo para fora dos trilhos.
A força libidinal não combina com o não e nem com a famosa “dor de cotovelo”. A dor de cotovelo é uma afronta ao nosso estado de agitação permanente, seria como se o seu trem sem maquinista e com força total ganhasse um maquinista, mas ele não é você nem o ser investido, enfim perdemos o controle do trem novamente.
O filme retrata com maestria que o personagem principal “cria” uma namorada, a mulher perfeita, a Amanda. Uma mulher disponível em sua mente que só vem a tona após Pedro passar um tempo de reclusão, devido a separação matrimonial. Ela vem para retira-lo de seu estado de torpor.
A sua criação, ou mecanismo de defesa, vem de encontro com a sua baixa tolerância a frustração. Criar um personagem para enfrentar a solidão para poder ir ao cinema, a boate, sem estar sozinho.
Ao ser confrontado com a realidade, Pedro “cai em si” e busca permanecer sóbrio diante da vida, e encontra a vizinha real que é apaixonada por ele.
Não queremos lidar com o nosso ego despedaçado com as nossas dores e angustias existenciais, lidar com a realidade e com as alegrias e tristezas, lidar com as perdas libidinais não é fácil. Investimos no outro fragmentos de nós mesmos, nossos pensamentos e emoções.
São pessoas enlutadas de amor que compõe os mais lindos poemas, músicas e obras literárias. E Pedro, utiliza dessa dor, desse luto para escrever livros, poemas e acaba se tornando um escritor de sucesso no filme.
Atualmente procuramos alivio imediato para as nossas dores com medicamentos, não que não sejam necessários, mas cria em nós um imediatismo para cessar certas dores. Mas para a dor do amor não há remédio. Dor existencial não tem remédio.
Para superá-la é preciso lutar, superar e seguir em frente, tendo a dor como aprendizado e não como ancora. É preciso lidar com a dor de amar.

Finalizo com a música de Beth Carvalho
“Como dói a dor de amar
Quem se desencanta sabe o que é chorar
Esse mundo não tem professor
Para a matéria do amor ensinar
Nem tão pouco se encontra Doutor
Dor de Amor é difícil de curar”

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Filme: A Vida é Bela


"A Vida é Bela", escrito, dirigido por Roberto Benigni ganhou 3 Oscar's: Melhor ator (Roberto Benigni), Melhor filme estrangeiro e Melhor Trilha Sonora em Drama. Este filme se passa em 1940 na Itália, onde Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência do regime Nazista.


Análise realizada por Leandro


Este filme relata a história de uma família que é presa pelos nazistas durante a segunda guerra, mas é centrado na relação de Guido e seu filho Giosué durante o tempo de cárcere.
No começo do filme, porém, não é relatado o terror dos campos de concentração, mas mostra como Guido cuida de sua família, seu tio, seus amigos, sua mulher e filho. Guido mostra sua criatividade quando poderia achar que não tem mais chance de nada.
Guido utiliza um cavalo que foi pintado por nazista com os dizeres “porco judeu” para conquistar sua amada (ele chega com o cavalo na festa de noivado dela), faz uso da criatividade para conseguir um emprego, e em outra parte para mostrar como alguém sem recursos pode ter uma vida com privilégios, a alegria.
Com o filho já crescido Guido brinca com a situação da prisão, ele diz para o filho “Isso tudo é um jogo! Quem marcar mais pontos ganhará um premio, um tanque de guerra!” e para não desesperar o filho, para que Giosué não percebesse as monstruosidades cometidas naquele campo, envolve todos os prisioneiros para que o filho possa pensar que tudo aquilo é uma brincadeira.
Guido sabia do que as terríveis imagens que o campo de concentração poderia provocar no filho. Ele mesmo agradece que o filho estivesse dormindo quando encontra um pequeno monte formado por corpos humanos.
Existe um dito popular que diz “é brincando que se aprende”, e na brincadeira Guido fez o filho dele aprender como se comportar naquelas situações de perigo. Brincando ele ensinou ao filho como sobreviver a guerra.
Guido transforma todo o medo, terror, desespero que sentia naquele campo de concentração em força de sobrevivência, o “instinto paterno” dele precisava salvar o filho, precisa fazer com que ele tivesse uma chance de sair de lá sem levar grandes traumas da guerra.
E consegue. Consegue fazer com que o filho se esconda e como premio encontre o tão esperado tanque de guerra.
Guido salva uma parte de si naquele garoto, salva a inocência, a pureza de suas brincadeiras, o amor por Dora. Mesmo não podendo salvar a si próprio ele conseguiu fazer o milagre de salvar aqueles que mais ama, o filho e a mulher.
Em outro momento do filme, Guido tenta dar um sinal para a mulher que estão bem. Ele consegue no mega fone do campo colocar a música de quando se conheceram, e ela começa a ouvir e cria força, ela demonstra ganhar uma nova energia ao perceber que as pessoas nas quais tinha investido tanto tempo, trabalho, suor, estavam vivos.
Muitos trabalhos científicos, livros, filmes, mostram que no momento de sobrevivência o que conta é salvar a própria pele, mas este filme demonstra que o instinto de sobrevivência trabalhando com o amor pelos seus familiares pode salvar não apenas a si próprio, como pode salvar um mundo, o mundo de uma criança.