terça-feira, 3 de novembro de 2009

Filme: Tá Chovendo Hambúrguer


O desenho "Tá Chovendo Hambúrguer" estreou este anos nos cinemas mundiais, com animação 3D. Este desenho conta a história do inventor Flint Lockwood, um cientista desacreditado por toda a cidade mas que revoluciona o mundo com a "máquina de chover comida". Filme baseado no livro de Judi Barrett e Ron Barrett "Cloudy with a Chance of Meatballs ".


Análise feita por Leandro

Ao ver este desenho no cinema com minha noiva vimos algo que foi relatado como uma diversão mas acontece na realidade: Preconceito!
Neste filme Flint Lockwood é uma criança com um sonho, ser cientista, um grande inventor, porém ele é rechaçado na escola por seu comportamento, por tentar entender as coisas, e por ser mais inteligente nas matérias acadêmicas.
Com isso vive isolado deles, a mãe o incentiva mas o pai não. Ele deixa o filho fazer as invenções, mas não acredita. Assim como a cidade inteira. A cidade respeitava e vivia apenas da propaganda de atum do pequeno bebê (que virou um homem já).
Neste contexto podemos ver o quanto as pessoas estão ligadas a essas imagens, representações sociais de cada um. Claro que nós fazemos essas representações para poder identificar, para nos adequar ao meio que estamos.
Mas como está sendo o nosso modo de enxergar o mundo? Pessoas inteligentes, que gostam de filmes “espaciais” ou de desenho animados devem ser excluídos? Tratados como uma pessoa sem qualquer importância na sociedade?
Flint consegue ser reconhecido como ágüem importante por fazer chover comida. Mas as pessoas, mesmo reconhecendo toda a inteligência de Flint, continuam a usurpá-lo, pedindo cada hora uma comida diferente para comer. Abusam dele e o fazem acreditar que somente assim poderá ter um lugar significante perante todos.
A personagem Sam Sparks não é diferente dele, porém quando era criança já muda seu comportamento. Ela gostaria de ser meteorologista, e por isso todos a chamam de “nerd”, como se isso fosse algo pejorativo, algo ruim. Ela decide mudar para não ser humilhada, deixa de lado os óculos (e passa a piorar sua visão, já que ela precisava deles para enxergar), muda roupa e começa a agir como se não entendesse das coisas, agir como “burra”.
Será que quem é inteligente precisa se disfarçar para que ninguém o reconheça como inteligente? Será que persistir nos sonhos de criança é errado?
Outro dia ouvi uma mãe dizer para seu filho “credo, ta parecendo nerd!”
Vou explicar o que é nerd. Nerd é uma pessoa que, em sua maioria, é inteligente nas matérias acadêmicas (sem ter que estudar demais para entende-las. Aqueles que estudam demais para uma matéria e ficam apenas estudando são os chamados CDF’s), muitas vezes tem um contato social precário, devido as chacotas que o envolvem, gostam de assuntos relacionados a ciência e ficção cientifica.
Analisando as características acima, existe algum motivo para serem excluídos? Serem motivos de piadas e excluídos só por isso? Existe motivo para uma mãe dizer ao filho “não seja nerd”?
Num país onde existe o discurso contra o preconceito racial, é permitido o preconceito contra alguma característica de gosto pessoal?
Isso vale para as nossas representações quantos aqueles que possuem algum déficit cognitivo ou físico. Quantas vezes não permitimos que alguém trabalhe em determinado cargo por que ele possuí dificuldade motora nos membros superiores (sendo um pouco mais claro, a pessoa tem dificuldade em movimentar os braços).
Nós devemos lutar para garantir que esses preconceitos não existam mais.
No filme todos passam a entender melhor Flint e Sam após eles salvarem o mundo da máquina que pifou, mas em nossa realidade será necessário um evento cataclísmico para que as diferenças acabem?
Lutemos e lutemos para que preconceitos caiam por terra, para assim chegarmos num ambiente de melhor convivência.

“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.”
Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo 1

domingo, 18 de outubro de 2009

Filme: Uma Prova de Amor


O filme "Uma Prova de Amor" foi lançado em 2009 e conta a história de uma familia cuja a filha do meio tem leucemia e as lutas da familia contra a(s) doença(s). Dirigido por Nick Cassavetes e tem no elenco Cameron Diaz, Jason Patrick, Abigail Breslin, Sofia Vassilieva, Evan Elligson e Alec Baldwin.
O filme, por sua vez é baseado no livro "Para minha Irmã" de Jodi Picoult.

A análise é feita por Natália.



Se me ama prove! É impressionante a necessidade que o ser humano tem de provas “concretas” de afeto, de amor.
O filme é uma prova que são diversas as provas de amor e o direito de morrer e viver o luto antecipatório.
A personagem principal não existe nesse filme, cada pedaço desse “quebra cabeça” da trama compõe uma linda história de amor em que uma menina, que luta contra a leucemia há anos, decide morrer, não mais lutar, deixar a vida acontecer e seu fim acontecer, e sua irmã que foi criada/gerada para salva-la se recusa a doar o seu rim, para a salvação da irmã.
Sua mãe demonstra forte negação da morte, tanto que engravida para salvar a filha, Não encarava o luto, não encarava a morte, no entanto sua família estava sendo destruída por sua negação da eminente morte de Katie.
A mãe, interpretada brilhantemente por Cameron Diaz, ficou obcecada pela vida e não enxergou que a mesma já havia desistido da vida, de lutar, de sonhar desde que seu primeiro namorado (com o qual pode experimentar a vida) morre de complicaçõs da leucemia.
Impressionante o momento em que a equipe de cuidados paliativos entra em ação e pergunta sobre o último pedido de Katie.
A pedido de sua irmã, Anna vai aos tribunais e pede emancipação do seu corpo e os direitos sobre o mesmo, com isso o de não transplantar o rim para a irmã Katie .
Trabalhar com o luto antecipatório é uma tarefa árdua, mexer com sentimentos enraizados de onipotência da negação da morte, a avançada luta medicinal contra a morte, a prolongação da vida a qualquer custo.
Os cuidados paliativos vieram dizer não para os avanços medicinais, aos quais exaustivamente foram testados a permitir que o luto antecipatório aconteça e que o psicólogo ou profissional da saúde lide proporcionando para a família a oportunidade de viver esse luto saudável.
A menina realizou seu último pedido, ir a praia! Uma cena emocionante que permite ver a importância de “deixar” a vida cumprir o próprio curso.
Rubens Alves brilhantemente diz em um dos seus poemas que a vida é bonita porque tem um fim. Imagine aquela musica que você mais gosta, sempre no seu ouvido ou ligada sempre? Chato né?! A música é linda porque tem um fim.
A melhor prova de amor que a menina deu foi morrer, não prolongando a vida e permitindo que os outros membros de sua família se descobrissem, descobrissem que existe uma linda vida.

Após a morte de alguém querido, é preciso redescobrir dentro de nós o que há de mais precioso daquela que nos deixou.

domingo, 27 de setembro de 2009

Personagem: Hulk


O personagem Hulk foi criado por Stan Lee e Jack Kirb em 1962. Já foi adaptado para um seriado televisivo na década de 80 (onde Bill Bixby interpretava o Bruce Banner e Lou Ferrigno interpretava o Hulk) e para o cinema (no final dos anos 80 onde a dupla retornava com seus papéis, em 2003 onde Eric Bana interpretava o Dr. Banner, em 2008 no qual o Dr. Bruce Banner era interpretado por Edward Norton. Nos dois últimos o Hulk era feito por computação gráfica).

Na foto acima estão 4 "fases": Bruce Banner, Hulk Clássico (acima), Professor e Sr Tira-Teima (abaixo).


A análise é feita por Leandro.


“Hulk esmaga!” é a primeira frase que lembramos do famoso seriado de TV, dos gibis e dos filmes, talvez lembremos ainda de um homem pintado de verde e de roupas se rasgando (nunca a parte superior da calça), ou de uma computação gráfica baseada em rosto de atores, mas sempre lembramos do personagem, um homem que quando fica bravo cresce em tamanho e força, fica verde e grita “hulk esmaga”.
Stan Lee ao criar este personagem ele se baseou no livro de Robert Louis Stevenson (O médico e o monstro) mas não tinha idéia (ou pelo menos não estava em seu consciente) que na realidade ele inicialmente caracterizou o ID, mas com o tempo outros autores caracterizaram em suas histórias o EGO e o SUPEREGO no mesmo personagem.
Darei uma breve explicação sobre o ID, EGO e SUPEREGO.
O termo ID aparece pela primeira vez na segunda teoria de Freud sobre as instancias da mente, onde também é apresentado (ou caracterizado) o ego e o superego. O Id é o nosso depósito de instintos primitivos, sexuais e agressivos, sendo totalmente imparcial e ligado ao principio do prazer.
Ou seja, os instintos primitivos (comer, beber, que embora sejam muitas vezes conscientes dão um alivio consciente e inconsciente para nós), impulsos sexuais e impulsos agressivos são prazerosos. Lembrando, estou falando em um nível inconsciente.
Toda a vontade que temos (e não são poucas) de bater em alguém por simplesmente ter derrubado um refrigerante em nós, falado algo contra você ou contra quem gostamos são reprimidas pelo nosso Superego, que é a nossa absorção dos padrões e das normas proibitivas de nossos pais e pela sociedade. Parte dela é consciente (ou seja, sabemos o que podemos ou não fazer) outra é inconsciente (sabe aquela culpa que você não sabe da onde vem? Pois é, é do inconsciente)
O personagem Hulk (em sua forma clássica) é ligado ao principio do prazer, ao impulso agressivo, sem as barreiras de normas e padrões da sociedade e pessoal.
O ego é a função executiva, ele que media o que pode ou não aparecer nessa nossa realidade, ele que media o que podemos ou não fazer neste mundo exterior. Por exemplo: alguém fecha o seu carro no transito, o primeiro pensamento é de bater no sujeito (vontade do id, agressividade), mas pensando um pouco mais sobre a conduta a ser tomada (regras da sociedade, superego) muda de idéia e simplesmente conversa com o outro com calma e todos resolvem a situação de forma prática e satisfatória (ato exercido, ego).
A personagem Hulk tem várias fases em suas histórias nos quadrinhos. Surge como o monstro verde que quer apenas bater em quem cruzar seu caminho ou machucar aquele com quem tem sua relação física e emocional, ou como o cinzento Hulk que trapaceia com sua lábia querendo sempre ganhar mais e mais por outras pessoas (conhecido como Sr. Tira-Teima), ou o Hulk consciente onde tem sua força diminuída mas possui o intelecto de seu alter-ego, Bruce Banner (conhecido pelo nome de Professor).
Em todas as suas fases (e nos filmes e seriados de televisão) o que prevalece nele é o instinto de prazer. Sempre que se zanga fica forte e destrói tudo que encontra.
Hulk, o Mr Hyde aprimorado, o manifesto do ID, o manifesto do prazer agressivo.
Com ele vemos o que podemos causar a nossa sociedade se nos entregar totalmente a nossas vontades primárias. Afinal, por ser o Hulk, ele é caçado por todos no planeta e principalmente pelo exército liderado pelo General Ross (o que torna tudo isso muito mais interessante, pois o general é pai de Betty, a esposa de Bruce Banner, o Hulk).
Todos os indivíduos tem seus instintos, desejos e anseios, muitos reprimidos e recalcados por Leis impostas pela sociedade ou pelo que aprendeu com seus cuidadores (pais ou parentes), e quando encontram com alguém que pode manifestar todos os seus desejos temem e desejam ser esse alguém.
Eu acredito que podemos conviver de forma equilibrada com nossos desejos, mas sabendo onde e como manifestá-los, ou seriamos caçados pelos “caça-hulk” (unidade especialmente criada para caçar o Hulk).

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filme: A Cor Púrpura


O filme "A Cor Púrpura" é baseado no livro homônimo de Alice Walker. A produção do filme é de Quincy Jones (também responsável pela trilha sonora), Kathleen Kennedy, Frank Marshall e Steven Spielberg, este último também dirigiu o filme. No elenco estão Danny Glover, Whoopi Goldberg, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Willard E. Pugh, Laurence Fishburne. Indicado a 11 Oscar's

Este filme (e o livro) conta a história de Celie (interpretada por Goldberg) que é violentada pelo pai logo no início da adolescência e após o parto é separada dos filhos. Doada a Mister (Danny Glover) ela passa a ser tratada como escrava e companheira dele. Quando as figuras de Shug Avery e Sofia (Margaret Avery e Oprah Winfrey, respectivamente) passama a integrar a vida de Celie uma luz de vida começa a brilhar em seu interior.


A análise é feita por Natália


O filme é comovente pelas relações parentais que se contrapõe, um pai tirano que comete incesto com uma das filhas Celie e desse incestuoso relacionamento nasce duas filhas que são separadas e privadas do convívio com a personagem principal.
As famílias como a do filme, marcadas com a violência, exige do profissional um árduo trabalho de clareza entre os seus limites e valores morais para compreender a dinâmica da família e após esse “olhar” desmistificar e desnaturalizar essas ações.
O filme se passa em 1906, época a qual as mulheres não tinham ainda o direito de escolha; a personagem Celie é tratada pelo marido como uma escrava e torna a repetir toda uma história de privação de sua personalidade e empobrecimento da sua auto-estima.
A violência domestica é velada em nossa atualidade, as mulheres tem voz mas por estereótipos enraizados em nossa sociedade essa “voz” de certa forma é calada. A cada quinze minutos uma mulher sofre uma violência doméstica velada.
Celie sofrerá uma das violências previstas por Lei Maria da Penha que caracteriza (a pouco tempo) a violência doméstica como crime, e essa violência é também psicológica, mais delicada de se provar, devido que sua marca não é expressa no corpo mas no subjetivo, ás vezes revelada na forma de queixas físicas a psicossomáticas.
Celie era marcada por uma baixa auto-estima, uma capacidade de tolerar extremas frustrações e seu modo de expressar suas dores e de escrever para sua irmã que fugiu das represálias do pai tirano.
Como essas mulheres marcadas com a violência encontram motivos para renunciar a essa vida velha e romper paradigmas enraizados? A psicoterapia sem uma visão ampla não dá conta das demandas psicossocias dessas mulheres, porém é uma parceria sistêmica e se faz necessário subsidiar essas mulheres demonstrando a mesma que tem como reconstruir essa história de novo de um outro modo.
Ressalto a relevância de trabalhar com o agressor que essa temática poderá se repetir em novo relacionamento quem é esse homem que agride a mulher ou quem é esse pai incestuoso?
Devemos não fechar os olhos para essa realidade, mas que possamos enxergar a cor púrpura diante desse problema que é a violência doméstica e sexual, buscar novos caminhos para que tanto a vítima como o agressor tenha chance de buscar novos caminhos.

sábado, 22 de agosto de 2009

Personagens: Sméagol/Gollum e Frodo


Retornamos mais uma vez aos livros e filmes "O Senhor dos Anéis". "O Senhor dos Anéis" de J.R.R. Tolkien foi adaptada para o cinema por Peter Jackson. Tolkien escreveu os três livros entre 1937 e 1949 e editou os primeiros exemplares de cada entre 1954 e 1955. O filme chegou as telas de cinema do mundo todo em 2001, 2002 e 2003.


Análise feita por Leandro.



Estava em minha casa vendo uma matéria sobre um rapaz que assassinou outro por estar sobre efeito de uma droga ilícita. O jornalista da matéria começou a reportagem com uma entrevista com a família do acusado, a família dizia que ele era tranqüilo e que os dois eram amigos. Nesse momento me lembrei de um famoso personagem dos livros de Tolkien e do filme “O Senhor dos Anéis”, Gollum.
Durante a história de “O Senhor dos Anéis” Gollum nos é apresentado como a criatura que veio atrás do seu “precioso”, que é como ele chamava o Anel do poder. Esse anel tinha o poder de despertar o mal no individuo que o usasse e o faria escravo para “nas sombras de Mordor aprisionar”. Mordor é a terra onde foi criado o Um Anel ou Anel do poder.
No primeiro livro e no terceiro filme, nos é apresentado um pouco da história de Gollum, cujo nome verdadeiro é Sméagol. O livro nos conta que ele achou o Um Anel junto com seu primo e amigo Déagol, ao olhar o anel achado e sentir sua beleza e poder, Sméagol o deseja e mata o primo apenas para ter o Anel em mãos. Devido ao crime ele é expulso do lugar onde mora e passa a viver nas Montanhas Sombrias e lá ele começa a se alimentar apenas de peixes crus e de orc’s. Ao perder o Anel, ele sai em busca do mesmo para te-lo de volta, nem que precise matar novamente para isso.
Podemos com isso fazer uma comparação aos dependentes de substancias psicoativas. Assim como essas substancias, o um Anel exercia um poder sobre seu usuário, tornando-o dependente disso, o Um Anel oferece um poder para seu usuário, o deixa mais viver mais tempo mas o preço é o modo de viver. Sméagol começou a mudar a forma de alimentação, se isolou da sociedade e suas atitudes com outras pessoas, quando as encontrava era de violência. Ficar tanto tempo utilizando o Anel, Sméagol esqueceu sua história e adotou o nome de Gollum (a sonorização que a garganta dele fazia, emitia este som “gollum”, como se estivesse tossindo) e criou uma segunda personalidade (ou será que era apenas a antiga?)
Mas este um anel teve apenas estes efeitos no Gollum? Ele também teve efeitos em outros seres, Isildur, que tirou o Anel de seu dono original, também foi afetado pelo Anel e morreu defendendo seu “tesouro”. Bilbo Bolseiro também foi afetado, não envelheceu quando o estava usando e quando reencontrou o Anel com seu sobrinho ele teve uma recaída e por um instante se pareceu como um monstro. Boromir, ao desejar o Anel, quase mata Frodo e acaba morrendo ao retornar seu pensamento em sua missão inicial.
Frodo mesmo foi um usuário do anel, mas ele contou com ajuda. Inicialmente 8 pessoas (ou seres vivos) o auxiliaram a acabar com o Anel, mas durante o caminho outras pessoas se juntaram e o ajudaram, deram coragem, mesmo sem estarem perto dele. O único que realmente ficou junto dele foi Sam, seu primo e amigo. Ao contrário de Sméagol, Frodo não matou Sam. Sam até utilizou o Anel uma vez para libertá-lo dos inimigos mas já o entregou, pois sabia que se utilizasse muito o Anel seria dependente dele. Mas o único que poderia destruir o objeto da dependência de tantos, o único que poderia acabar com um mal que assolava a tantas pessoas, esse alguém era o último usuário do Anel, Frodo.
Com isso faremos um link sobre o processo de tratamento de dependentes, seja de jogos, seja de substâncias psicoativas, ou de várias outras coisas, mas darei foco em substancias como álcool e drogas ilícitas. Notem como foi importante para o processo de destruição do Anel a ajuda de outras pessoas. Frodo precisou do apoio de Sam, Aragorn, Legolas e tantos outros que cruzaram seu caminho (inclusive obteve ajuda de Gollum, mesmo sem este querer). Frodo percebeu que não poderia participar de algo tão grande sem ajuda.
Esse reconhecimento é um dos primeiros passos para o tratamento de dependentes, é necessário que eles tenham conhecimento que aquilo faz mal para ele e para os que estão próximos, se ele perceber isso é pedir ajuda conseguirá participar de todo o tratamento e ter uma “reabilitação” mais rápido.
Em Gollum podemos ver como um individuo pode ficar ao não perceber como aquilo o está matando, de determinada forma, e acabando com sua vida social. Vemos hoje que vários dependentes, principalmente os de substâncias psicoativas, podem se tornar violentos, venderem todos os bens que possui apenas para saciar esta dependência.
Ao conversar com um amigo, que irei chamar de Samuel, sobre como ele era e estava quando era usuário de maconha e cocaína, ele me disse que por dentro estava “um caco”, não conseguia pensar direito, só queria saber de fumar mais um “cigarrinho”, ele percebeu como aquilo estava o afetando quando olhou para o espelho “cara, eu me via magro, como um esqueleto, parecia mais um fantasma de filme que com um ser humano, aí resolvi me internar”.
Esse modo como ele se viu e mais ou menos como o Gollum é, magro, sem vida, sem perspectiva. Gollum vivia para o Anel, o dependente vive apenas para a dependência dele.
Samuel me disse que o fator que mais ajudou para sair da dependência foi a ajuda dos amigos e familiares, ele ainda me disse que quem se isolava muito ou que não recebia muitas visitas, tinha um processo mais longo e difícil.
Desta forma, podemos perceber que a ajuda de outras pessoas no tratamento de dependência é fundamental, mas o único que pode acabar realmente com esta dependência é o próprio individuo.
Para concluir transcrevo um dos últimos parágrafos de “O Senhor dos Anéis”, tendo esperança que muitos daqueles que se encontram com o “Anel” possam destruí-lo e voltar para casa.
“Por fim, os três companheiros se voltaram, e sem olhar para trás mais nem uma vez sequer foram lentamente em direção de casa ... – É, aqui estou de volta”

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Livro: Bruxa, Bruxa


Este livro, ou conto, foi indicado por uma pedagoga da cidade de Santo André - SP, a Samantha. Obrigado pelo apoio e pelas sugestões.


A análise é realizada por Natália


Esse livro nos remete a infância do novo século que, podemos dizer, é mais “encurtada”. Hoje percebemos que aos 9 anos eles se auto-denominam pré-adolescentes e não mais crianças.
O ser criança se perdeu diante da pressa de ser adolescente, e o ser adulto se perdeu no fato de permanecer adolescente (se tornando um “adultescente”).
O fato é que ser criança é navegar na fantasia, é uma fase de absorção das coisas boas e más da vida. Já dizia Freud “A criança é um polimorfo perverso”, dando alusão a importância da infância e as etapas do desenvolvimento psicossexual, alertando a importância da infância carregada de subjetividade.
Não pretendo analisar o livro, apenas no seu modo geral, mas sim viajar na infância contemporânea.
O livro é bem ilustrado em suas cores, na historia o narrador (presumindo que sejam os bichos da floresta) decidem organizar uma festa, na qual sem a bruxa ninguém iria a festa. Partindo deste ponto, a figura bruxa entra em qual momento histórico?
Segundo Bettlheimexiste um tempo certo para determinadas experiências de crescimento e para a infância é o momento de aprender a transpor o imenso interior e o mundo real.
Bom e o mau, mãe que ora boa e ora é ruim, ora provem o alimento e ora provem a frustração, essa é uma figura da bruxa que fica no imaginário infantil contendo esses dois lados, bem e mal.
O bom e o mau estão presentes na história e conforme o desenvolvimento humano, aos poucos a criança consegue integrar aspectos bons e maus em uma pessoa (principalmente nos pais).
A Infância de uma forma ou de outra, está sendo mutilada e rasgada, adiantando a adolescência sem a verdadeira experiência infantil, e a autoridade é necessária e deve se fazer presente. A autoridade não é sinônimo de tirania, mas continência materna e/ou paterna dos objetos internos (medos e angustias), também sinônimo de cuidado, de carinho.
Convidar a “bruxa” para a festa é um símbolo da proteção também, demonstrando a necessidade de limite da criança, para que elas não se tornem adultos com baixa tolerância a frustração e com atitudes compensatórias.
Devemos convidar a “bruxa” para nossa festa, admitir que em nós contém o lado bruxa e fada e que podem, e devem, ser administrado para o equilíbrio.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Filme: Wall-E


Wall-e é a última animação entre a Disney e a Pixar e foi lançado em 2008. O desenho fala sobre um futuro onde, após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao auto-conserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada. Eva deixa a Terra após cumprir sua diretriz e parte para a nave onde os humanos vivem, Wall-E vai atrás dela numa adorável aventura.


A análise é feita por Leandro


No mundo de hoje é raro encontrar uma empresa que não tenha em todos os seus processos a ajuda de um computador, é raro encontrar uma escola que não tenha um site na internet, mas raro ainda é encontrar um adolescente que não saiba mexer num computador. Estamos na era digital!
Hoje o contato humano acontece muitas vezes através de sites como orkut, twitter, fotolog, blog’s, msn e outras ferramentas que se não forem utilizadas de maneira correta podem trazer prejuízo para o individuo. Digo isso devido a pesquisas realizadas pela imprensa, por outros institutos e pela minha experiência. A Rede Social Orkut, segundo o site Wikipédia, surgiu em 2004 e foi criada para ajudar as pessoas a fazerem novas amizades. Isso abrange uma rede muito larga de usuários, no orkut podemos mandar mensagens para usuários do mundo inteiro. Com esse tipo de comunicação, várias pessoas passam horas neste site (ou em outros parecidos) se comunicando com amigos do mundo inteiro. O mesmo acontece com o programa MSN. Nele duas ou mais pessoas podem se comunicar em tempo real, trocar vídeos, programas, fotos.
Existem outras formas de se comunicar e fazer amigos, como os jogos on-line chamados MMORPG (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game ou Multi massive online Role-Playing Game) onde o jogador comanda um personagem e deve cumprir várias tarefas e missões para evolui-lo e torna-lo forte, ágil, habilidoso, conhecido, rico. Há vários jogos de MMORPG, os mais conhecidos são o Second Life, Cabal On-line, World of War Craft, Ragnarok On-Line. Neles a pessoa pode passar horas e horas a fio sem ao menos tem contato fisico com qualquer outra pessoa, inclusive de sua própria familia.
Devido a este fato das pessoas passarem mais tempo “falando” com outras pessoas por jogos ou msn que artigos cientificos na área de sociologia, psicologia, comunicação e informática foram criados tentando entender mais sobre o fascinio dos usuários desses programas e seus pós/contras de seu uso excessivo.
No filme Wall-E vemos exatamente o que o uso excessivo pode fazer com uma pessoa. O desenho é sobre um robô (Wall-E) que tem como função limpar o planeta da sujeira deixada pelos humanos. O planeta Terra fica inabitável e a mesma empresa que poluiu o planeta (a BNL) cria excursões pelo espaço enquanto o planeta é limpo. A excursão dura 700 anos. Dentro do fabuloso cruzeiro inter-estelar, as pessoas vivem sentadas em cadeiras eletromagnéticas, onde estao acoplados uma tela em frente ao rosto da pessoa, botões no braço da cadeira e braços para segurar copos plásticos. Nesses copos plásticos, iguais ao de uma lanchonete fast-food, é colocado todo o suprimento necessário para sustentar o ser humano, pela tela em frente ao rosto os humanos se comunicam com outros e dão ordens para os outros robôs.
Uma cena muito interessante do filme é de um homem que está sentado na cadeira e comanda um robo jogando golf, como se ele próprio estivesse jogando golf. Essa cena nos remete ao MMORPG onde o usuário se imagina como o personagem que está comprando roupas, dirigindo uma aero nave, jogando futebol ou derrotando monstros em cenarios medievais.
Outro detalhe é que cada um deles são obesos, por não terem qualquer atividade fisica mostrando uma vida sedentária, por estarem na frente da televisão. O desenho mostra que as crianças ainda no breço já são colocadas na frente de telas por robôs, banindo assim qualquer contato humano entre os bebês e entre bebês e adultos.
Estudos realizados em Havard afirmam que um dos fatores da obesidade é o excesso de televisão (fonte: site BBC). Um vicio dados aos humanos desde crianças.
Outro detalhe são os robôs, robôs que foram criados para facilitar a vida humano. Robôs massagistas, robôs enfermeiros, robôs para levantarem uma pessoa caso ela saia da cadeira, cadeiras robôs que dão alimentos e que os levam a qualquer lugar.
E cada um deles são levados a fazer isso por terem sido condicionados a acreditar em tudo que passa nessa tela, nesse computador. Quando a personagem John cai da cadeira, robôs aparecem para coloca-lo na cadeira, mas cair ele fica desesperado por terem cortado seu elo com o “mundo virtual” que vivia. Ele não tinha mais tela na sua frente, nem uma cadeira para leva-lo onde deseja, foi um efeito parecido com a ausencia de drogas num viciado.
Contudo o filme mostra duas faces da tecnologia, a face do sedentarismo e face do humanismo.
O personagem mais humano no desenho todo é o robozinho Wall-E. O filme nos mostra um robo que trabalha limpando o mundo, processando todo o lixo e compactando-o. Porém, cada vez que ele vai compactar algo ele encontra um objeto interessante para ele, um carfo, um isqueiro, uma caixa de anel, um cubo-mágico, e os guarda em sua casa, um enorme veiculo onde lá possuí um Ipod ligado a um video-cassete e assiste musicais dos anos 70. Wall-E resgata em seu comportamento infantil o humano que não aparece em nenhum dos humanos do cruzeiro. Wall-E até possui um animal de estimação, uma barata, o único ser vivo que poderia viver em todo aquele lixão.
Quando Wall-E chega na cruzeiro e esbarra em 3 de seus habitantes, uma mulher, um homem e o capitão da nave, ele mostra que o contato fisico entre as pessoas através da máquina é possivel, trás a tona todos os desejos e vontades de um individuo normal. Esse contato mostra que a alienação é péssima, mostra que é necessário conviver com os computadores e não viver através deles.
Wall-E nos mostra que podemos e devemos utilizar cada uma dessas ferramentas computadorizadas existentes em nosso mundo, mas que nunca devemos nos esquecer desse contato humano, o toque entre pessoas. Nos mostra que podemos conversar por msn, mandar recados no orkut e twitter, pesquisar matérias na internet, visualizar este blog, jogar MMORPG para se divertir, mas que devemos dosá-los com o contato humano, brincar com uma criança com brinquedos de montar, combinar de encontrar os amigos do msn, orkut e twitter numa lanchonete bacana, pesquisar matérias em livros e revistas também, sair com a/o namorada/o para ver um filme.
Contato físico entre pessoas, uma prova disso é o quanto um abraço nos faz bem quando estamos triste.Utilizar os computadores na vida e não viver por e para eles, é essa uma grande lição que podemos tirar do filme Wall-E