sábado, 16 de abril de 2011

Filme: Cisne Negro - O (des)equilíbrio da agressividade


O filme Cisne Negro (2010) foi dirigido por Darren Aronofsky e é estrelado por Natalie Portman, Mila Kunis, Wynona Rider e Vicent Cassel. Ganhador do Oscar, Globo de Ouro de do BAFTA de Melhor Atriz (Natalie Portman) e ganhador do Independent Spirit Awards de Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. O filme narra a estória de Nina (Portman) que substitui Beth MacIntrye(Rider) como primeira bailarina de uma companhia de ballet. Devido a pressões do seu diretor (Cassel), Nina começa uma luta para ser a Rainha Cisne, que incorpora os dois papéis, o Cisnes Branco e Negro.


Análise feita pela Psicóloga Natália

Quanto nós somos capazes de fazer para ir à busca de um objetivo? Somos capazes de nos transformar para conseguir alcançar o tão esperado objetivo?
Como manter a estrutura egoica á frente da frustração e a persistência perante o real objetivo a ser alcançado, e o quanto ficará de nós nesse objetivo, nesse projeto?
No filme cisne negro, isso é claro o quanto daquela menina frágil fica para trás em prol do nascimento do cisne negro, o enredo é belíssimo, forte e impactante, a trama do balé antes visto como clichê ganha traços de psicose, claros e oriundos. Durante a trama nos é apresentado sua mãe que não permitia que sua filha se torna-se uma mulher a aprisionando de um modo sutil, em um mundo irreal.
A agressividade é importante segundo Winnicoot , o bebê precisa de agressividade para abocanhar o seio da mãe, fato esse ele morreria de fome e desintegraria, para ir em busca devemos ser agressivos ao ponto de rompermos com os nossos pais e buscarmos nosso próprio alimento, para a competição em uma seleção de emprego, a agressividade nós impulsiona.
A personagem principal lutava contra esses impulsos de agressividade, ela se apresenta de uma maneira técnica preciosa de detalhes, porém não sentia a dança em sua plenitude, era cobrada emocionalmente a sentir, na ânsia de viver o cisne negro plenamente.
Devida a busca fiel por uma perfeição, nunca alcançável, nós humanos devemos lidar com a falta e que a perfeição não é alcançável, como se render ao superego exigente e sanguinário, o superego é de extrema relevância para a vida em sociedade, mas porém ele pode nos cobrar demais e nos paralisa. Na ânsia de viver o cisne negro ela renuncia o cisne branco “somatizando” uma dermatite no lugar em que as asas do cisne negro nasceriam. Dermatite essa fruto de seus delírios e fuga para ansiedade e medo do fracasso.
Nesse ato heroico de dar vida ao cisne negro, ela mata o cisne branco e é acometida por um surto psicótico ao qual ela mata o cisne branco para que reine o cisne negro, ao qual a personagem mata sua parte aceitável, o cisne branco, para que apenas se concretize o cisne negro.
O filme é impactante não só no sentindo das crises psicóticas, que são bem elaboradas e realizadas com precisão incrível, mas a incapacidade da personagem de viver os seus dois lados à sombra, o lado obscuro, e o lado aceitável. Nós, meros mortais, temos esses dois lados e somos afetados por ambas as partes e assim devido ás frustrações e realizações de nossa vida, criamos a nossa estrutura egoica para tolerarmos as exigências do desejo e do aceitável.
A personagem cindiu a estrutura de ego e diante de um superego sanguinário e ameaçador nos revelou as armadilhas da perfeição e nos deixou um espetáculo maravilhoso e intrigante.

3 comentários:

  1. Não assisti o filme, mas gostei da análise. Abraço Cy.

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  2. O filme é uma incrível obra prima...
    Um dos melhores filmes que já vi,até agora em 2011!
    Fantástico!

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  3. Puxa adorei esse blog. Vocês estão de parabéns!

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